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Dilma terá reparação de R$ 17,5 mil por mês e R$ 6,6 milhões em retroativos como anistiada

Portaria do Ministério dos Direitos Humanos troca indenização única por pagamento mensal permanente, com atrasados calculados desde 1997; valores já pagos serão descontados

Henrique Speck Por Henrique Speck
27/10/2026
in Política
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Ex-presidente Dilma Rousseff

Dilma Rousseff, presidente do banco do Brics (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

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Dois dias depois da reeleição de Lula (PT), o governo federal garantiu à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) uma reparação mensal de R$ 17.562,80 como anistiada política. A portaria, assinada pela ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, saiu nesta terça-feira (27). Além disso, o texto reconhece R$ 6,6 milhões em valores retroativos, calculados desde 21 de outubro de 1997.

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Segundo o ministério, o pagamento terá caráter indenizatório e será permanente e continuado. No entanto, o ministério vai descontar dos retroativos os valores que Dilma já recebeu, e a portaria não informa quanto ainda resta a pagar.

De R$ 100 mil para pensão vitalícia

A nova portaria altera uma decisão administrativa de agosto de 2025 e cumpre uma determinação judicial. Naquele ano, a Comissão de Anistia reconheceu Dilma como anistiada política, pediu desculpas em nome do Estado e aprovou uma reparação de R$ 100 mil, em parcela única.

Agora, o modelo muda. Assim, em vez do pagamento único, a ex-presidente passa a receber valores mensais por tempo indeterminado, além dos atrasados que somam quase três décadas.

O cálculo usou como referência o salário médio de profissionais da antiga Fundação de Economia e Estatística (FEE) do Rio Grande do Sul. Dilma estagiou na fundação em 1975 e voltou para presidi-la entre 1991 e 1993.

Militância e prisão

Dilma integrou a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), organização armada de esquerda que combatia o regime militar. Em 1970, aos 22 anos, foi presa e ficou detida por cerca de três anos, período em que relatou ter sofrido tortura.

Por outro lado, a ex-presidente não depende da reparação para se manter. Desde 2023, ela preside o Novo Banco de Desenvolvimento, o banco do Brics, com sede em Xangai, e ganhou novo mandato em 2025.

Por isso, a medida deve reacender o debate sobre os critérios das indenizações pagas pela Comissão de Anistia. Por fim, o ministério não divulgou o processo judicial que motivou a revisão.

Henrique Speck

Henrique Speck

Jornalista (MTB 15353/PR) e editor-chefe do Jornal Diretriz. Vencedor do Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo 2026.

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