Deputados governistas e de esquerda pediram nesta segunda-feira (26) a apreensão do passaporte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula (PT) no segundo turno. Os parlamentares alegam risco de fuga, mas não apresentaram provas de que o senador pretenda deixar o país.
O deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) protocolou uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR), com pedido de tutela cautelar de urgência. Assim, ele quer proibir a saída de Flávio do Brasil e obrigar a entrega do passaporte. “O Flávio pode querer fugir do país e eu não vou deixar”, disse em vídeo nas redes sociais.
Além disso, a deputada Duda Salabert (PSOL-MG) anunciou ter acionado a Justiça com o mesmo objetivo. Nas redes, ela chamou o senador de “bandido” e afirmou que ele tentaria fugir para não enfrentar inquéritos. Contudo, a parlamentar não informou a qual autoridade encaminhou o pedido.
Por fim, o deputado Rogério Correia (PT-MG) disse que pretende acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a apreensão do documento, segundo o Conexão Política.
O que dizem os pedidos
Os parlamentares citam investigações em andamento contra Flávio no STF. Uma delas apura suposta lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Outra, o caso “Dark Horse”, investiga o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro com recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. A defesa do senador nega irregularidades.
No entanto, nenhum dos pedidos tem efeito imediato. A representação de Otoni, por exemplo, ainda aguarda análise inicial do Ministério Público Federal. Por isso, qualquer restrição depende de decisão judicial.
Flávio contesta o resultado
Por outro lado, os pedidos surgem depois que Flávio anunciou que não reconhece a vitória de Lula. “É impossível reconhecer os resultados das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”, afirmou o senador. Ele disse que vai à Justiça pedir a anulação do segundo turno e questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou a votação até as 19h.
Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. Dessa forma, o senador deixa o cargo em fevereiro de 2027, quando termina seu mandato, e perde o foro privilegiado. Ainda assim, os inquéritos devem permanecer no STF, segundo entendimento firmado pela Corte em 2025.
Até a publicação desta matéria, a assessoria de Flávio não havia se manifestado sobre os pedidos.





