O Banco Central do Paraguai (BCP) assumiu o controle do ueno bank nesta terça-feira (3) e iniciou o processo de resolução da instituição. O banco digital, um dos que mais cresceram no país nos últimos anos, tem cerca de 3 milhões de clientes. Assim, correntistas ficaram sem acesso a contas, cartões e ao aplicativo.
A decisão saiu na madrugada, depois de reunião da diretoria do BCP na segunda-feira (2). Segundo o órgão, o índice de solvência do banco ficou abaixo da metade do mínimo exigido pela lei paraguaia.
O que acontece com os clientes
Dessa forma, o BCP suspendeu transferências, saques, pagamentos com cartão e movimentações pelo aplicativo. Os depósitos de até 75 salários mínimos, cerca de 228,3 milhões de guaranis por pessoa, têm cobertura do Fundo de Garantia de Depósitos. Pela cotação atual, o valor equivale a pouco mais de R$ 200 mil.
No entanto, saldos acima desse limite não têm garantia automática. Nesse caso, a devolução depende da venda dos ativos do banco. O BCP prevê começar os pagamentos em até 15 dias e afirma que tenta encurtar o prazo.
Além disso, mais de 32 mil aposentados do Instituto de Previsión Social (IPS) recebiam pelo ueno. O instituto garantiu que vai pagar os benefícios em dia.
Impacto na fronteira
O banco tem presença em Alto Paraná, departamento de Ciudad del Este, vizinha de Foz do Iguaçu. Por isso, a suspensão pode atingir brasileiros que moram, trabalham ou têm empresas do lado paraguaio. Até agora, não há levantamento oficial sobre o número de clientes brasileiros.
Crise política
O caso derrubou o presidente do BCP, Carlos Carvallo. Ele comandou a Financiera ueno entre 2021 e 2023, antes de chegar ao Banco Central, e vinha sendo cobrado pela oposição por causa dessa ligação. Carvallo entregou a renúncia, mas fica no cargo temporariamente para acompanhar a resolução.
Além disso, segundo o portal H2FOZ, o presidente paraguaio, Santiago Peña, estava entre os acionistas da holding do banco até março de 2025.
Por outro lado, o BCP também apontou possíveis operações de crédito com empresas ligadas ao grupo controlador, piora na liquidez e falhas de documentação. O órgão vai encaminhar os casos às autoridades. De acordo com o site Rio Times, a Promotoria paraguaia determinou a detenção de executivos do banco após denúncia do BCP.
Por fim, o Banco Central afirma que o caso é pontual e não traz risco para as demais instituições do sistema financeiro paraguaio.






