Os Estados Unidos confirmaram nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A decisão foi assinada pelo presidente Donald Trump após recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA, o USTR, e anunciada pelo representante comercial Jamieson Greer em entrevista à imprensa. A lista completa dos itens afetados ainda não foi divulgada, mas café e carnes devem ficar isentos da sobretaxa.
“O presidente tomou a decisão de tomar ação responsiva”, afirmou Greer. O representante também alertou que o governo americano poderá rever as medidas caso o Brasil adote ações de retaliação, sinalizando que a pressão pode se intensificar dependendo da resposta de Brasília.
A medida é resultado de uma investigação iniciada pelo USTR em julho de 2025, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, instrumento que permite aos Estados Unidos investigar e punir países com práticas comerciais consideradas desleais. Entre as alegações americanas estão políticas brasileiras sobre comércio digital, tarifas preferenciais, patentes, pirataria, etanol e desmatamento ilegal. Em um dos trechos mais polêmicos da declaração, Greer chegou a classificar o Pix como um “campeão nacional” que “promove condições desleais de competição no comércio eletrônico”.
Do lado brasileiro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou na terça-feira (14) que o governo estuda adotar medidas de retaliação. Uma legislação aprovada pelo Congresso Nacional em 2025 autoriza o Executivo a aplicar sobretaxas de importação, suspender acordos comerciais e, em situações excepcionais, restringir patentes e royalties como resposta a medidas que prejudiquem a economia nacional.
O caminho, no entanto, não é simples. Em 2025, durante a primeira rodada de tarifas de Trump, o governo Lula chegou a cogitar a reciprocidade, mas recuou diante da avaliação de que taxar produtos americanos elevaria a inflação doméstica e reduziria a competitividade da indústria nacional, que depende de insumos importados dos Estados Unidos. O mesmo dilema se repõe agora, com a diferença de que a pressão americana é maior e a paciência do Palácio do Planalto para negociar, menor.






