O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) declarou voto no presidente Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial. A declaração aconteceu na noite de segunda-feira (19), durante um sarau com músicos em Curitiba. Além disso, um vídeo de quase cinco minutos com o discurso passou a circular nas redes sociais nesta terça-feira (20).
Na fala, Greca reconheceu insatisfação com o petista, mas defendeu o voto nele. “Pelo menos ele tem a reta intenção de servir aos pobres”, afirmou. Em seguida, o ex-prefeito disse aos músicos que, sem Lula, “não vai ter Lei Rouanet”.
Sem citar o nome de Flávio Bolsonaro (PL), Greca acusou o grupo adversário de querer “calar o Brasil para só servir aos Estados Unidos”. Segundo ele, o bolsonarismo também não quer cultura, universidades nem escolas públicas.
O ex-prefeito disse ainda que tinha acabado de sair da missa e que não podia ficar em silêncio. “Se eu me calasse, as pedras falariam”, declarou.
Contra o próprio grupo
A declaração vai na direção oposta à de seus aliados no primeiro turno. Greca foi candidato a vice-governador na chapa de Sandro Alex (PSD), apoiada pelo governador Ratinho Junior (PSD). No entanto, a chapa perdeu a disputa para o senador Sergio Moro (PL), eleito ainda no primeiro turno.
Depois da derrota, Ratinho Junior e Sandro Alex declararam apoio a Flávio Bolsonaro. Da mesma forma, o MDB do Paraná, presidido pelo deputado federal Sérgio Souza, também fechou com o candidato do PL. Assim, Greca fica isolado dentro do próprio partido no estado.
Da proximidade com Bolsonaro ao apoio a Lula
Por outro lado, o ex-prefeito já esteve do lado oposto. Em 2019, Greca recebeu o então presidente Jair Bolsonaro em Curitiba. Já em 2023, elogiou um discurso de Lula na ONU contra a fome. Por isso, a mudança não é inédita, mas marca o rompimento público mais claro de Greca com a direita paranaense.
No discurso, ele também se apresentou como herdeiro da tradição de Leonel Brizola, fundador do PDT, partido ao qual foi filiado nos anos 1990. Contudo, procurado pela imprensa, Greca disse que não vai se manifestar por enquanto. Portanto, o ex-prefeito chega ao segundo turno, no domingo (25), do lado oposto ao do governador que o escolheu como vice.






