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A maquiagem do caixa e o apagão dos serviços: o Paraná não pode pagar a conta do ilusionismo fiscal

Emerson Bacil questiona a real situação financeira deixada para a próxima gestão e defende a reparação de consumidores afetados pelas quedas de energia

Redação Por Redação
16/10/2026
in Paraná
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Emerson Bacil
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Por Emerson Bacil, deputado estadual eleito (PL-PR)

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O caixa esvazia, as promessas ficam e a conta chega para o cidadão. O Paraná precisa de transparência no uso do dinheiro público e de respostas concretas para os problemas que afetam a população e o setor produtivo.

Caminho ao lado de Sergio Moro desde o primeiro momento porque compartilho um princípio inegociável: a verdade deve prevalecer sobre os discursos convenientes. Com esse compromisso, trago ao debate os números apresentados pela Secretaria da Fazenda (Sefa) na Assembleia Legislativa e os problemas que os paranaenses enfrentam nos serviços essenciais.

Caixa cheio ou contas no vermelho?

De um lado, o governo apresenta uma disponibilidade de caixa de R$ 27,6 bilhões para a próxima gestão. De outro, reportagem da Gazeta do Paraná aponta um déficit orçamentário de cerca de R$ 4,2 bilhões entre janeiro e agosto de 2026.

Os dois números precisam ser lidos no contexto certo. Dinheiro em caixa não significa, necessariamente, dinheiro livre para novos investimentos. Da mesma forma, déficit não quer dizer, por si só, que o Estado esteja quebrado.

Por isso, a pergunta é objetiva: quanto desse dinheiro estará de fato disponível depois de pagos os compromissos, os restos a pagar, os convênios e as despesas de custeio? E quais obrigações ficarão para a próxima administração?

Transparência não pode ficar no discurso

Anunciar obras, assinar convênios e exibir bons números em eventos oficiais faz parte da comunicação de qualquer governo. No entanto, a responsabilidade administrativa exige mais. É preciso mostrar de onde virá o dinheiro, quais despesas já estão comprometidas e como os investimentos serão mantidos.

O contribuinte tem o direito de conhecer a situação real das contas públicas. Assim, defendo a divulgação clara e consolidada dos compromissos assumidos, dos valores pagos, dos restos a pagar e das despesas previstas para os próximos anos.

Não se trata de alarmismo. Trata-se de garantir uma transição com informações completas e confiáveis, para que a próxima gestão conheça a realidade que vai encontrar e mantenha os serviços funcionando. Transparência não pode ser substituída por disputa de narrativas.

Copel: a conta chega duas vezes para quem produz

Se as contas públicas exigem explicações, a qualidade dos serviços essenciais também precisa entrar no debate.

A energia elétrica é indispensável para casas, comércio, indústria e, especialmente, para o campo. Quando o fornecimento falha, o prejuízo vai além do desconforto: mercadorias se perdem, a produção para e surgem despesas extras.

Consumidores e empresários têm o direito de exigir um serviço à altura das tarifas cobradas. Por isso, é preciso discutir os indicadores de continuidade do fornecimento, o tempo de resposta às ocorrências, a estrutura de atendimento e as compensações para quem sofre prejuízo.

São Pedro do Iguaçu: produtores dependem de geradores

Em São Pedro do Iguaçu, produtores rurais relatam que precisam recorrer a geradores para manter suas atividades diante das quedas de energia. Esses relatos merecem investigação.

O gerador exige diesel, manutenção e operação. Em outras palavras, o produtor paga pela energia contratada e, ao mesmo tempo, gasta do próprio bolso para gerar eletricidade. Esse custo se soma às despesas com insumos, combustível, mão de obra e equipamentos.

Dependendo da atividade, uma interrupção afeta bombeamento, refrigeração, armazenamento e outras etapas essenciais da produção. Quando isso se repete, a margem do produtor encolhe e o planejamento fica comprometido.

O agronegócio não depende apenas de estradas, crédito e mercado. Depende também de energia confiável. Portanto, o agricultor não pode ser obrigado a resolver, indefinidamente e com recursos próprios, as falhas de um serviço essencial.

Os casos de São Pedro do Iguaçu precisam ser documentados, com registro das ocorrências, da duração das interrupções e dos prejuízos. Só assim os órgãos competentes poderão avaliar a dimensão do problema e as medidas necessárias.

Ação em Reserva abre caminho para responsabilização

A questão já chegou à Justiça. Em Reserva, nos Campos Gerais, o Ministério Público do Paraná ajuizou uma ação civil pública por falhas recorrentes no fornecimento de energia. A ação busca responsabilizar a Copel e reparar os danos apontados no processo.

O caso levanta uma questão que vale para todo o Estado: como garantir que consumidores e produtores prejudicados tenham acesso à fiscalização e à reparação? Além disso, é preciso verificar se há situações semelhantes em outros municípios, inclusive em São Pedro do Iguaçu.

Defendo que órgãos públicos, entidades do setor produtivo e consumidores documentem os episódios e encaminhem as informações às autoridades. Havendo indícios de falhas sistemáticas e danos comprovados, cabem as medidas administrativas e judiciais adequadas.

Isso não significa presumir que todos os municípios vivem o mesmo problema ou que a culpa da concessionária já esteja definida. Significa garantir que denúncias fundamentadas sejam apuradas e que os prejuízos comprovados sejam reparados, como prevê a lei.

O Paraná precisa de responsabilidade nas contas e nos serviços

A situação fiscal do Estado e as falhas no fornecimento de energia são assuntos distintos. Contudo, ambos exigem transparência, fiscalização e respostas concretas.

Nas contas públicas, precisamos conhecer os recursos disponíveis, os compromissos assumidos e as despesas futuras. Na energia, precisamos de informações sobre a qualidade do fornecimento, o atendimento ao consumidor e a reparação dos danos quando houver responsabilidade comprovada.

Não basta apresentar números. É preciso explicar o que eles significam na vida dos paranaenses.

Fiscalizar é obrigação de quem exerce mandato. Cobrar transparência não é antecipar conclusões, mas garantir que os fatos sejam esclarecidos e que a população tenha acesso às informações.

O Paraná pertence aos paranaenses. A conta pública precisa ser transparente, e a energia precisa chegar a quem produz. O cidadão não pode continuar pagando custos e prejuízos sem respostas claras das instituições responsáveis.

Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do Jornal Diretriz.

Redação

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