O PSD oficializou neste domingo (26) a candidatura de Ronaldo Caiado, 76 anos, à Presidência da República, com Gilberto Kassab como vice. O evento foi realizado na sede do partido, no centro de São Paulo, e marcou a entrada formal do ex-governador de Goiás na corrida ao Planalto.
A estratégia central da campanha ficou clara já nos primeiros discursos: ocupar o espaço dos eleitores que rejeitam tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro. Caiado mirou nos dois ao longo de toda a convenção.
“A eleição dos rejeitados”
Antes de subir ao palanque, Caiado sinalizou seu ângulo de ataque. “Mesmo assim, os rejeitados estão conseguindo, nesta estratégia, poder ainda alimentar um percentual significativo de apoios”, disse em referência direta aos adversários.
No discurso, o candidato foi além e listou escândalos dos quais afirma estar livre. “Nunca me envolvi em rachadinha, escândalo do Banco Master, INSS e Mensalão”, declarou, reforçando o discurso de moralidade que é o pilar central da candidatura.
Economia e segurança no centro do programa
Caiado atacou a política econômica de Lula com ironia. “Kassab e eu estávamos no Brás e todos dizendo: ‘Governador Caiado, nós estamos indo para o Paraguai’. O cidadão hoje está todo endividado”, afirmou, criticando os juros altos e o programa Desenrola. “Não, Lula. Quem vai desenrolar o Brasil é o PSD, é o Kassab e o Caiado.”
Na segurança pública, prometeu “mão pesada” contra o crime organizado e medidas concretas de proteção à mulher, incluindo confisco de patrimônio de agressores para transferência direta à vítima.
O palanque e as pesquisas
A convenção reuniu nomes de peso do PSD. O governador do Paraná, Ratinho Junior, que chegou a ser cotado para a candidatura presidencial antes de recuar em março, esteve presente. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que também disputou a indicação internamente, garantiu palanque gaúcho a Caiado em seu discurso.
Silvia Abravanel, pré-candidata a deputada federal pelo PSD, foi a mestre de cerimônia do evento.
Nas pesquisas, Caiado tem desempenho modesto no primeiro turno, com 4% das intenções de voto, distante de Lula (40%) e Flávio (34%). O trunfo da candidatura, no entanto, aparece no segundo turno: pesquisa PoderData/Aya de julho mostra Caiado com 43% contra 44% de Lula, configurando empate técnico e sinalizando que, se chegar à fase final, a disputa pode ser competitiva.






