O Paraná tem menos jovens fora da escola e do mercado de trabalho do que a média do Brasil. Segundo o IBGE, 14,5% dos paranaenses de 15 a 29 anos não estudam nem trabalham. Esse grupo é conhecido como “nem-nem”. Em números absolutos, são cerca de 374 mil jovens.
Queda de 100 mil em cinco anos
O grupo encolheu de forma expressiva. Em 2019, eram 474 mil jovens nessa condição. Assim, o estado reduziu o contingente em 100 mil pessoas até 2024. Os dados constam da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, compilada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).
No país, o índice ficou em 18,5% em 2024. Em 2025, caiu para 17,5%, segundo a PNAD Educação. Portanto, o Paraná aparece abaixo da média nacional nas duas medições. No entanto, os anos e as metodologias das pesquisas não coincidem totalmente.
Entre os 2,57 milhões de jovens paranaenses, 1,25 milhão apenas trabalha, o que equivale a 49%. Outros 520 mil só estudam, ou 20%. Já 422 mil conciliam estudo e emprego, cerca de 16%.
A diretora de Fomento e Renda da Secretaria de Estado do Trabalho, Qualificação e Renda, Suelen Glinski Rosa, relaciona o cenário ao mercado de trabalho. Segundo ela, a taxa de desemprego no estado está em 3%, situação que classifica como pleno emprego. Além disso, afirma que há mais vagas do que pessoas procurando.
No primeiro semestre de 2026, 74,9 mil jovens trabalhavam com carteira assinada, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego. Outros 49,5 mil eram estagiários e 27,7 mil, aprendizes.
O estado oferece cursos gratuitos de 96 horas, em parceria com o Sistema S. Ao final da formação, o jovem recebe bolsa-auxílio de R$ 1.008 para transporte e alimentação.
Qualificação e novo perfil
O especialista educacional Fábio Terra, da GERAR, avalia que parte dos “nem-nem” se afastou da escola por motivos pessoais ou familiares. Por isso, defende programas de aprendizagem profissional para a retomada dos estudos.
Além disso, o comportamento da Geração Z pesa na escolha do emprego. Segundo o Randstad Workmonitor 2026, 56% dos jovens deixariam um trabalho que prejudicasse a vida pessoal e a saúde mental. Outros 40% preferem o desemprego a um ambiente que os deixe infelizes.






