A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou nesta quarta-feira (24) um vídeo nas redes sociais relatando uma discussão por telefone com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República. Segundo ela, o episódio ocorreu após manifestar oposição à aproximação entre o PL e Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
“Ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para dizer o que me disse, teria sido melhor que não tivesse ligado. Foi muito ríspido, me desrespeitou e me tratou mal ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, respondi que tudo bem”, afirmou Michelle no vídeo.
Questionado sobre o episódio, Flávio Bolsonaro respondeu com uma linha só: “Hoje é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece.” A declaração, feita no dia em que o Brasil enfrenta a Escócia pela terceira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo, foi interpretada como uma resposta irônica às acusações da ex-primeira-dama, sem entrar no mérito da discussão.
A ex-primeira-dama rebateu a acusação de inexperiência política lembrando sua atuação à frente do PL Mulher. “Sou presidente nacional do PL Mulher. Viajei o Brasil inteiro, montei diretorias nos 27 estados e no Distrito Federal, ajudei a eleger 1.005 mulheres em 2024. Mas, para ele e para alguns ao seu redor, eu não entendo de política”, disse.
O ponto central do conflito é a estratégia eleitoral do PL no Ceará. Michelle defende o apoio à pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do estado e considera contraditório que integrantes do bolsonarismo articulem uma aliança com Ciro Gomes, figura que ela responsabiliza por ter contribuído com a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na semana passada, ela já havia chamado publicamente essa aproximação de “aliança com o mal”.
Michelle também acusou os filhos de Bolsonaro de agirem de forma articulada após as críticas. “Os irmãos se uniram, de forma coordenada, com textos muito parecidos entre si. Parecia combinado, premeditado”, afirmou. Ela negou estar pressionando por candidaturas ou exigindo pedidos de desculpas e afirmou que a questão, para ela, é de respeito e consideração.
A crise escancarou uma divisão real dentro do campo bolsonarista sobre como construir alianças para 2026. De um lado, André Fernandes e aliados no Ceará defendem a composição com Ciro como estratégia para enfrentar o PT. Do outro, Michelle sustenta que qualquer aproximação com o ex-candidato petebista só deveria ser discutida, no máximo, em um eventual segundo turno.






