Um homem condenado a mais de 120 anos de prisão foi identificado e isolado no sistema penitenciário do Rio de Janeiro após estuprar uma adolescente de 16 anos na Penha, Zona Norte da capital fluminense. O crime foi cometido durante a Visita Periódica ao Lar, a chamada saidinha, referente ao Dia dos Pais.
O agressor é Wansther Jorge Silva Damasceno, que acumula 12 passagens pela polícia por crimes como estupro e roubo. Ele ficou conhecido nos anos 2000 como o Maníaco do Escort Azul, quando praticava abusos na mesma região da cidade.
Como o crime aconteceu
Segundo as investigações da Polícia Civil, o agressor aguardou em um ponto de ônibus em frente a uma escola da região até avistar a vítima saindo sozinha, e a abordou na saída do colégio. Após o ataque, a jovem conseguiu pedir socorro e foi atendida por policiais civis da 22ª DP (Penha). Acompanhada da mãe, recebeu atendimento no Hospital Estadual Getúlio Vargas e passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal, que confirmou a violência sexual.
Até quando?
O caso do Maníaco do Escort Azul deveria ser o argumento definitivo para encerrar a saidinha no Brasil. Um homem com 12 passagens pela polícia, condenado a mais de 120 anos de prisão por crimes que incluem estupro, recebeu autorização do próprio sistema penitenciário para deixar a cadeia em nome de uma data comemorativa. O resultado foi mais uma adolescente violentada.
Não se trata de um erro imprevisível. Wansther já era um estuprador em série identificado desde os anos 2000, quando ganhou o apelido que carrega até hoje. O histórico dele não é uma informação nova que surgiu depois do crime, ele estava lá, documentado, disponível para qualquer avaliação criteriosa antes da concessão do benefício. Ainda assim, o sistema entendeu que um homem com essa ficha merecia sair da prisão para visitar a família.
Enquanto o debate sobre a saidinha se arrasta no Congresso, quem paga o preço da lentidão política é sempre alguém como a adolescente de 16 anos da Penha, que caminhava para casa depois da escola. O Estado teve a chance de impedir esse crime simplesmente negando o benefício a um reincidente contumaz, e não o fez.
Este não é um caso isolado. Casos de presos que cometem novos crimes graves, incluindo estupro e homicídio, durante a saidinha, têm se acumulado no noticiário nos últimos anos. Cada novo episódio reforça o mesmo ponto, o benefício, do jeito que é concedido hoje, não distingue adequadamente quem representa risco de quem não representa, e isso tem custado a segurança de mulheres e adolescentes em todo o país.






