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Lula sanciona lei que tira até R$ 16,6 bi da saúde e educação

Lei complementar 235, sancionada sem vetos um dia após Lula se apresentar como defensor de políticas sociais no Jornal Nacional, retira receitas do petróleo da base de cálculo do piso da saúde e incorpora o Pé-de-Meia ao piso da educação

Henrique Speck Por Henrique Speck
31/08/2026
in Política
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Lula debates presidenciais 2026 primeiro turno PT estratégia

Foto: Ricardo Stuckert/ Reprodução: X

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Um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se apresentar na TV Globo como o único candidato ao Planalto defensor dos mais pobres, o Diário Oficial da União publicou a sanção, sem vetos, da lei complementar 235. O texto, segundo cálculo de economistas publicado pelo Estadão, pode tirar até R$ 16,6 bilhões da saúde e da educação já em 2027.

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Como a lei foi aprovada

A lei complementar 235 nasceu em abril de 2026 como resposta aos impactos da guerra dos Estados Unidos contra o Irã sobre os preços de combustíveis, reduzindo impostos sobre diesel e gasolina. Os dispositivos que afetam saúde e educação não estavam no texto original: entraram pelo parecer da relatora, deputada federal Marussa Boldrin (Republicanos-GO), após negociação com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. Câmara e Senado aprovaram o projeto completo no mesmo dia, 12 de agosto, em poucas horas, sem audiência pública. Um destaque do PL para retirar o dispositivo foi rejeitado por 43 votos a 20, com os 9 senadores do PT votando a favor.

A Constituição exige que a União aplique todo ano, no mínimo, 15% da receita corrente líquida em saúde. A nova lei não altera esse percentual, mas retira da base de cálculo, enquanto houver previsão de deficit, a receita da venda de petróleo, projetada em R$ 31 bilhões para 2027. Com uma base menor, 15% também rende menos dinheiro. Além disso, a lei antecipa para 2026 até R$ 3 bilhões de uma verba que, por lei anterior, deveria ser adicional aos pisos de saúde e educação em 2027, e suspende a proibição de contar esse valor dentro da obrigação.

O que diz o governo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou publicamente que o projeto não traz prejuízo à saúde e à educação. Em entrevistas posteriores à GloboNews e à Folha de S.Paulo, no entanto, admitiu a exclusão das receitas do petróleo da base de cálculo do piso da saúde e confirmou que o programa Pé-de-Meia, de mais de R$ 10 bilhões, que antes era pago à parte, passou a contar dentro do piso da educação. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, contabilizou publicamente R$ 20 bilhões de economia no Orçamento de 2027 gerados pelos gatilhos fiscais, dos quais R$ 10 bilhões vêm diretamente da nova lei.

Os números

A Instituição Fiscal Independente do Senado calcula perda de R$ 4,7 bilhões no piso da saúde em 2027 apenas pela exclusão da receita do petróleo, além de outros R$ 5 bilhões em vinculações legais. O Instituto de Finanças Funcionais para o Desenvolvimento, ligado ao campo desenvolvimentista e favorável a Lula, projeta perda de R$ 8,6 bilhões a R$ 16,6 bilhões para as duas áreas somadas em 2027, chegando a até R$ 56 bilhões acumulados até 2030. A XP calcula impacto de até R$ 8 bilhões só na saúde.

O contraste com o teto de gastos

Quando o governo Michel Temer aprovou o teto de gastos em 2016, medida que também restringiu os pisos de saúde e educação, o PT classificou a proposta como “PEC da Morte”, acionou o STF com ação direta de inconstitucionalidade e transformou a revogação do teto em bandeira de campanha em 2022. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, que integrou aquela mobilização, pediu veto aos artigos da nova lei em agosto deste ano, mas o pedido não foi atendido e a entidade não repudiou publicamente a sanção de Lula.

Henrique Speck

Henrique Speck

Jornalista e Editor-Chefe do Diretriz. Vencedor do Prêmio FIEP de Jornalismo 2026.

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