O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, confirmou nesta quinta-feira (18) que negociou com o investidor Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador. O imóvel está no centro das investigações da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura se a transação foi feita em troca de atuações do senador a favor de interesses ligados ao Master.
Em entrevista à BandNews, Wagner explicou os termos da negociação. Segundo ele, tinha interesse em adquirir o imóvel para a filha e, como o apartamento ainda estava em construção, pediu a Lima que o comprasse primeiro, com a intenção de recompra posterior. “Como o Augusto Lima era um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois, eu vou recomprar. Porque o apartamento está em construção, não está pronto. Então, eu teria que vender o apartamento da minha filha para poder complementar e pagar o apartamento, ou ela financiar'”, afirmou o senador.
O imóvel em questão é o apartamento 1702 do empreendimento Poème Horto, na Rua da Sapucaia, no bairro Horto Florestal, em Salvador, construído pela Moura Dubeux com previsão de entrega para setembro de 2026. A unidade está avaliada em R$ 2,5 milhões.
Wagner negou qualquer transferência de patrimônio para si e afirmou não manter negócios diretos com o Banco Master ou com o CredCesta, operação de cartão consignado voltada a servidores públicos que originou a atuação da instituição nas investigações. “Eu não tenho empresa, não tenho nada. Eu tenho um apartamento que é o apartamento que eu moro e meu sítio lá em Andaraí. Esse é meu patrimônio e está declarado no imposto de renda”, disse.
A defesa de Augusto Lima classificou as diligências da PF como desnecessárias e afirmou que as apurações vão demonstrar que os fatos são “rigorosamente lícitos”, sustentando que o empresário sempre atuou com transparência e dentro dos limites da lei.
A confirmação do próprio Wagner sobre a negociação, no entanto, alimenta o debate político em torno do caso. Parlamentares de oposição já utilizaram o episódio para pressionar o PT, e o nome do senador foi associado publicamente às investigações do escândalo do Banco Master, que também envolve o ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.






