Uma pesquisa da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, realizada em novembro de 2025 com 5.510 brasileiros adultos, revelou uma inversão sem precedentes no mapa ideológico do país: a Geração Z, formada por jovens nascidos entre 1995 e 2010, é hoje o grupo que mais se identifica com a direita no Brasil. 52% dessa faixa etária se identifica com a direita ou centro-direita, contra 31% com a esquerda ou centro-esquerda, 5% com o centro e 12% sem ideologia declarada.
O dado quebra uma narrativa consolidada ao longo de décadas. A juventude brasileira era historicamente associada a pautas progressistas, movimentos sociais e resistência ao conservadorismo. O que os números mostram agora é o oposto: a geração que mais se declara de esquerda é a dos baby boomers, nascidos entre 1946 e 1964, com índice de 57% de preferência pela esquerda. Em outras palavras, os mais velhos ficaram à esquerda enquanto os mais jovens migraram para a direita.
A geração anterior, os millennials, adiantou a tendência da geração Z, com 51% se identificando com a direita e centro-direita. O movimento é, portanto, geracional e progressivo: quanto mais jovem o eleitor, mais conservador tende a ser.
A religião também emerge como variável decisiva. Evangélicos despontam mais à direita, com 56,6% dos entrevistados desse grupo se declarando de direita, contra apenas 11,1% à esquerda. O engajamento político da geração Z, segundo o próprio levantamento, ocorre majoritariamente via redes sociais, ambiente em que influenciadores liberais e conservadores têm presença dominante. Outro dado relevante do estudo é o pessimismo econômico que atravessa os mais jovens. Em ambos os grupos mais jovens, millennials e geração Z, 35% acreditam que terão menos oportunidades de trabalho do que seus pais. A geração Z também lidera o pessimismo sobre o futuro do país, com 65% se declarando pessimistas. Esse cenário de desconfiança na mobilidade social pode ajudar a explicar a rejeição ao modelo político vigente e a busca por alternativas fora do espectro tradicional de esquerda.
Quando questionados sobre em quem mais confiam para mudar as coisas no país, a geração Z apresentou maior índice de confiança em novos partidos políticos, com 32%, em comparação com 25% dos millennials, 20% da geração X e 17% dos baby boomers. É a geração mais descrente das estruturas partidárias estabelecidas e, ao mesmo tempo, a mais aberta a novas lideranças conservadoras. O levantamento ouviu 5.510 eleitores entre 22 e 27 de novembro de 2025, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Para a direita brasileira, os dados representam uma janela estratégica em 2026. A geração que estreia nas urnas ou vota pela primeira vez não é mais o eleitorado natural da esquerda. É jovem, conectada, desconfiante do Estado e majoritariamente conservadora.






