O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um vídeo declarando apoio exclusivo ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) na disputa pelo governo de Pernambuco em 2026, encerrando uma semana de tensão entre PT e PSB no estado.
“O meu partido e eu estamos apoiando o João Campos para candidato a governador do estado de Pernambuco. Esse é um compromisso histórico e é um compromisso que é resultado de uma relação produtiva, uma relação que deu resultado, uma relação que trouxe muita coisa para Pernambuco”, afirmou Lula no vídeo. O presidente também citou Miguel Arraes e Eduardo Campos, bisavô e pai de João, e classificou o PSB como a “maior aliança nacional” do PT hoje. Campos reproduziu o vídeo em suas redes sociais.
O gesto foi uma resposta direta à crise gerada por uma entrevista do ministro Wellington Dias ao jornal O Globo, na qual ele sinalizou que Lula poderia apoiar tanto Campos quanto a atual governadora Raquel Lyra (PSD). A declaração foi rapidamente desautorizada pelo presidente do PT e coordenador de campanha, Edinho Silva. Segundo relatos, o próprio João Campos telefonou a Edinho exigindo explicações, e Lula pediu a auxiliares que deixassem claro que seu apoio seria exclusivo ao candidato pessebista.
O ex-ministro Rui Costa era um dos defensores internos do palanque duplo, argumentando que 2026 será uma eleição disputada e que o presidente não poderia abrir mão de alianças. O PSB, no entanto, reagiu com firmeza, sinalizando que um apoio dividido poderia resultar em reavaliação dos apoios do partido ao PT em outros estados.
O cenário eleitoral pernambucano complicou-se para o campo petista nas últimas semanas. Pesquisa Datafolha divulgada no fim de maio mostrou uma inversão de liderança: Raquel Lyra apareceu com 48% das intenções de voto contra 43% de João Campos, além de vantagem em eventual segundo turno. Em abril, Campos liderava com margem de 12 pontos percentuais, quadro que se reverteu nas semanas seguintes.






