No coração de Curitiba, o Lar Hermínia Scheleder funciona como muito mais do que um abrigo. É um espaço onde crianças em situação de vulnerabilidade encontram rotina, afeto, oportunidades e, acima de tudo, uma chance concreta de reconstruir a própria história.
Fundada em 1964 por membros da Igreja Presbiteriana de Curitiba, a instituição nasceu do voluntariado voltado a amparar jovens desabrigados, evoluindo de forma técnica para responder às demandas sociais sem abrir mão de sua essência baseada no crescimento físico, mental, social e espiritual dos acolhidos.
Em 2024, a instituição investiu R$ 2.437.029,27 em recursos públicos para garantir uma estrutura completa de atendimento. O cardápio de atividades vai muito além do esperado para uma casa de acolhimento: as crianças têm acesso a aulas de arte circense, jiu jitsu, basquete, futebol e natação, além de atendimento psicopedagógico, psicoterapia, fisioterapia, terapia ocupacional, atendimento médico e odontológico. Há ainda escola bíblica dominical, projetos com voluntários internacionais e sessões de psicomotricidade relacional.
Para manter a sustentabilidade financeira, o Lar diversifica suas fontes de recursos. Além do repasse da mantenedora e das prefeituras que encaminham crianças à instituição, a entidade conta com emendas parlamentares municipais e federais, recursos de destinação do Imposto de Renda e doações dos Conselhos Municipais da Criança e do Adolescente. Um bazar social que disponibiliza à comunidade itens doados sem utilidade direta para os acolhidos gerou em 2024 uma arrecadação de aproximadamente R$ 23 mil.
Os detalhes do cotidiano revelam o cuidado com que a instituição trata cada criança individualmente. Os aniversários, por exemplo, são comemorados de forma personalizada, com tema, decoração e bolo escolhidos pela própria criança. Um gesto simples que, para quem viveu a instabilidade de um lar desestruturado, pode significar muito.
Os depoimentos de quem vive o Lar de perto traduzem bem o impacto da instituição. “Minha visão de mundo e das pessoas é outra. É muito bom estar em um lugar que proporciona oportunidades de uma vida melhor para as pessoas”, disse Cleusa, mãe social da instituição. Anna Luiza, de 12 anos, acolhida pelo Lar, resume com simplicidade o que a instituição representa: “Aqui podemos ser cuidados e aprender muitas coisas. É mesmo um lugar para ter uma nova vida.”
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