O PL está dividido sobre a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, marcada para 1º de fevereiro de 2027. Uma ala do partido quer apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB). A outra defende candidatura própria. A bancada se reúne na quarta-feira (11) para decidir.
Segundo fontes ouvidas pelo Jornal Diretriz, parte dos deputados negocia o apoio a Motta em troca de cargos de peso, como uma vice-presidência da Casa ou o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Além disso, de acordo com o site Agenda do Poder, essa ala teme repetir o que aconteceu no Senado em 2023. Na época, Rogério Marinho perdeu para Rodrigo Pacheco, e o PL ficou sem espaço na Mesa e nas comissões.
Assim, a conta dos pragmáticos é simples. Dentro do bloco de Motta, o PL poderia escolher uma das três primeiras comissões, por ter a maior bancada. Fora dele, ficaria com a 16ª escolha, segundo o mesmo site.
Motta declarou apoio a Lula
A resistência tem endereço. Em 10 de agosto, Motta anunciou apoio à reeleição de Lula. O Republicanos ficou neutro na disputa presidencial e liberou os diretórios estaduais, e o da Paraíba, comandado por ele, fechou com o petista. Segundo a revista CartaCapital, Motta disse que Lula “converge com aquilo que pensamos ser o melhor para o País”.
Por isso, Nikolas Ferreira (PL-MG) se colocou contra o acordo. “Entre a presidência da CCJ e entre manter a coerência, eu prefiro abrir mão da CCJ”, afirmou o deputado, que é um dos nomes do PL para comandar a comissão, segundo o jornal O Tempo. Para ele, Motta “tomou um lado” na eleição.
Além disso, Nikolas citou como possíveis candidatos Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) e o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). Por outro lado, a ala da candidatura própria reúne muitos deputados novatos. “Queremos uma candidatura própria, seja pra ganhar ou para perder”, disse um integrante ao Agenda do Poder.
Novo terá candidato próprio
Enquanto o PL hesita, o Novo saiu na frente. Em nota divulgada na terça-feira (3), o partido anunciou que terá candidatura própria à presidência da Câmara e descartou apoiar Motta “em nenhuma hipótese”. Dessa forma, a direita terá ao menos um nome na disputa, embora o Novo ainda não tenha definido quem será. Como resultado, o PL terá de escolher entre apoiar o candidato do Novo, lançar um nome próprio ou fechar com Motta.
A maior bancada da história do PL
Contudo, o PL chega à disputa mais forte do que nunca. O partido elegeu 121 deputados em outubro, a maior bancada da Câmara e da sua história. O Novo também cresceu, de 3 para 10 cadeiras. Mesmo assim, nenhum partido tem sozinho os 257 votos da maioria absoluta.
Do outro lado, o bloco de Motta já reúne 15 partidos, segundo o Agenda do Poder, e o PT e o União Brasil formalizaram apoio à reeleição dele. Portanto, a reunião de quarta vai definir se a maior bancada da Câmara chega a 2027 como oposição independente ou dentro do bloco de um aliado de Lula.






