O pastor Odair Pereira Lopes, de 52 anos, morreu esfaqueado no peito na noite de sábado (31) em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Ele era presidente da Igreja Batista Renovada do Espírito Santo, com templos nos bairros Pedreira e São Bento, na zona sul da capital. A polícia prendeu em flagrante o suspeito, Jailton Porcino dos Santos, de 58 anos.
O crime ocorreu após Odair sair de um bar de um amigo. Segundo frequentadores, Odair ia ao local por amizade com o dono, aconselhava pessoas e não bebia. No entanto, o ataque não ocorreu durante a briga. Odair deixou o bar e foi para casa. Câmeras de segurança registraram o momento em que um carro branco para perto da vítima, a poucos metros da residência, e o motorista desce e a golpeia com uma faca.
Familiares socorreram o pastor e o levaram ao pronto-socorro, mas ele não resistiu.
Ameaça antes do ataque
Segundo reportagens do Diário do Estado de SP e do Correio Braziliense, testemunhas disseram à polícia que o suspeito saiu do bar afirmando: “Hoje eu pego ele”. Os dois se conheciam havia cerca de quatro anos. Contudo, a amizade acabou por causa de divergências políticas frequentes, e o pastor já evitava conversar com ele. Além disso, Odair publicava posições de direita nas redes sociais, e Jailton é descrito nas reportagens como apoiador da esquerda.
No entanto, até agora nenhuma reportagem confirmou filiação partidária ou militância formal do suspeito.
O que diz a igreja
Parte da imprensa tratou o caso como uma briga de bar. No entanto, fiéis contestam essa versão. Uma frequentadora da igreja enviou ao Jornal Diretriz um relato segundo o qual o suspeito perseguia o pastor havia algum tempo por causa das opiniões políticas dele. Segundo ela, Odair decidiu parar de responder às provocações, e o comportamento do suspeito ficou mais agressivo. “Estamos todos nos sentindo injustiçados”, escreveu.
O relato combina com o que as testemunhas disseram à polícia sobre o pastor evitar o suspeito. Além disso, as imagens mostram que Odair já tinha ido embora quando sofreu o ataque. O boletim de ocorrência citado pela TMC registra agressões no bar, mas não esclarece quem começou a discussão.
Prisão e depoimento
Policiais militares atendiam a ocorrência quando o suspeito voltou ao local. Houve perseguição, e os policiais o detiveram. Além disso, o teste do bafômetro apontou 0,73 mg/L de álcool, acima do limite legal. Por isso, a polícia também autuou Jailton por dirigir embriagado.
As versões sobre o depoimento divergem. Segundo o Diário do Estado de SP, ele disse ter sentido raiva ao ver o pastor estacionar e decidiu se vingar da briga. Por outro lado, a TMC informa que, questionado pelos policiais, ele negou o crime e disse que não tinha faca. A polícia não encontrou a arma.
Assim, a Polícia Civil segue investigando o caso. As reportagens publicadas até agora não trazem manifestação da defesa.
Por fim, a família velou e sepultou o corpo nesta segunda-feira (2) no Cemitério Memorial Parque Paulista, em Embu das Artes. Nas redes sociais da igreja, mensagens de fiéis lembram o pastor como uma liderança querida na comunidade.






