A campanha do senador Jaques Wagner (PT-BA), candidato à reeleição, conseguiu uma liminar na Justiça Eleitoral para retirar do ar o MasterWhats. O site simulava a interface do WhatsApp e reunia mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e a outras figuras públicas.
A decisão partiu do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), nesta segunda-feira (21). O pedido foi feito pela Coligação Mais Bahia, Mais Brasil, da qual Wagner faz parte. O juiz relator Isaías Vinícius de Castro Simões deferiu parcialmente a liminar. Segundo ele, a plataforma apresentava “criação deliberada de conversas artificiais” com potencial de induzir o eleitorado ao erro.
O magistrado determinou que o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) suspendesse o conteúdo. Caso a remoção individual não fosse possível, o juiz autorizou o bloqueio do domínio recomendeme.com.br, vinculado ao responsável pelo site. Por outro lado, o tribunal negou pedidos da coligação para acionar bloqueios amplos de DNS contra o desenvolvedor e para impor filtros automatizados em plataformas como Google, Meta e Telegram, citando o princípio de intervenção mínima da Justiça Eleitoral.
O que o site apresentava
O MasterWhats reunia mais de 65 mil mensagens atribuídas a Vorcaro em conversas com autoridades, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e um ex-integrante do Banco Central. A ferramenta também permitia alternar entre abas com mensagens atribuídas a Jair Bolsonaro e a Lula, vazadas em diferentes processos judiciais ao longo dos últimos anos.
Segundo apurou a BBC News Brasil, as mensagens atribuídas a Lula no site eram de 2016 e não tinham relação com a atual investigação contra Vorcaro. Ainda de acordo com a reportagem, o site não chegou a exibir diálogo direto entre Wagner e o ex-banqueiro. As únicas menções ao senador apareciam na aba de conversas atribuídas a Lula.
A defesa de Wagner afirmou que entrou com a ação porque o site “apresentava conversas que nunca existiram”. Até a publicação desta matéria, essa alegação não havia sido submetida a julgamento de mérito pela Justiça Eleitoral. A decisão do TRE-BA tratou apenas do pedido de liminar.
Versão do criador do site
O desenvolvedor Lucas Matheus Alves, responsável pelo domínio no ar, afirmou publicamente que não recebeu notificação prévia sobre o processo. Segundo ele, soube da remoção após procurar a Hostinger, empresa responsável pela hospedagem. “Zero e-mail, zero intimação, zero contraditório”, escreveu Alves, em publicação nas redes sociais.
O projeto foi criado a partir do MasterZAP, desenvolvido originalmente por Rafael Bressan. Alves disse que a proposta era reunir, em uma única interface, conversas que já haviam sido tornadas públicas por veículos de imprensa e pela Polícia Federal. O bloqueio também atingiu o RecomendeMe, outra plataforma de Alves, sem relação direta com o MasterWhats.






