O jornal O Globo publicou um editorial classificando como “a única decisão cabível” o cancelamento do debate presidencial pela TV Globo, nesta quinta-feira (1º). Segundo o texto, a emissora agiu diante do que chamou de “interferência política e das violações à Constituição e à liberdade de imprensa”.
A crítica à decisão sobre o púlpito vazio
O editorial se refere à liminar da ministra Estela Aranha, do TSE, que atendeu a um pedido do PT e determinou que a Globo retirasse do palco o púlpito reservado ao presidente Lula (PT), ausente do debate, além de impedir que os demais candidatos dirigissem perguntas ao espaço vazio.
Segundo o texto, essa regra constava da ata assinada por representantes de todas as campanhas, inclusive a de Lula, prevendo justamente esse procedimento em caso de ausência. O jornal classifica a decisão de Estela Aranha como geradora de “desequilíbrio em favor do candidato petista, em detrimento dos demais postulantes ao Planalto”, e lembra que ela é ex-assessora do ministro Flávio Dino, do STF, e foi indicada ao TSE pelo próprio Lula.
Outras duas decisões citadas
O editorial também menciona duas outras interferências judiciais no mesmo dia. Na terça-feira (29), o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, alterou o entendimento da própria Corte sobre contagem de parlamentares para fins de convite a debates, o que garantiu a entrada de Romeu Zema (Novo). Segundo o texto, essa foi uma “interpretação elástica” da lei eleitoral.
Horas antes do debate, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão), mesmo sem que ele atendesse às exigências previamente acordadas pelas campanhas.
O precedente de 2006
O editorial questiona por que a regra do púlpito vazio, aplicada sem contestação em outras ocasiões, não valeu desta vez. Cita o debate da Band deste ano, quando Lula e Flávio faltaram e o espaço de ambos ficou vazio diante das câmeras, e o debate presidencial de 2006, quando o próprio Lula também deixou de comparecer ao encontro da Globo no primeiro turno, e perguntas foram dirigidas ao púlpito vazio pelos adversários, sem qualquer impedimento judicial. “Por que as mesmas regras não deveriam valer nesta eleição?”, questiona o texto.






