O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu nesta quarta feira (16) a taxa básica de juros, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano. É o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual promovido pelo colegiado desde o início do atual ciclo de flexibilização.
A queda foi unânime entre os diretores do BC. Além disso, ficou alinhada à expectativa de 75 das 78 instituições financeiras consultadas pelo Projeções Broadcast. A decisão também bateu com a projeção do Boletim Focus, divulgado na segunda feira (14).
O que puxou a inflação para baixo
O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto. No acumulado de 12 meses, a alta chegou a 4,22%, dentro do teto de tolerância da meta. Mesmo assim, o Boletim Focus elevou a projeção de inflação para o fim de 2026, de 5% para 5,2%. Esse patamar fica acima do limite superior perseguido pelo Banco Central. Para 2027, a estimativa também subiu, de 3,8% para 3,9%.
O sinal de desaceleração da economia
O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre deste ano. O resultado ficou abaixo dos 1,1% registrados nos três primeiros meses de 2026. Por isso, o dado reforçou a leitura de moderação da atividade econômica. Apesar disso, o mercado de trabalho segue aquecido, segundo avaliação do próprio Copom.
No comunicado, o colegiado afirmou que o cenário atual exige serenidade e cautela na condução da política monetária. Isso porque a incerteza aumentou, e as expectativas de inflação seguem desancoradas. Diante disso, o Copom evitou sinalizar o que fará na reunião de novembro. Qualquer nova decisão, segundo o comitê, vai depender da evolução dos preços, das expectativas de mercado e da atividade econômica.
O contexto internacional
O conflito no Oriente Médio segue pressionando os preços do petróleo. Como consequência, bancos centrais ao redor do mundo aumentam a cautela. Na Europa, por exemplo, o Banco Central Europeu chegou a elevar juros em 0,25 ponto percentual diante da alta da energia, movimento oposto ao brasileiro.
A Selic havia permanecido em 15% ao ano por dez meses seguidos, entre junho de 2025 e março de 2026, o maior patamar em quase duas décadas. Desde então, a taxa já caiu 1,25 ponto percentual. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 3 e 4 de novembro. Depois, o comitê se reúne novamente em 8 e 9 de dezembro.



