Grêmio, Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro e outros grandes clubes brasileiros publicaram nesta quinta feira (17) um manifesto conjunto contra uma possível proibição abrupta das casas de apostas no país. O documento, intitulado “O Fim do Futebol Brasileiro”, foi divulgado também por federações estaduais, entre elas a Federação Paulista de Futebol e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.
O que motivou o manifesto
A mobilização ocorre diante de rumores de que o governo federal estuda editar uma Medida Provisória para restringir ou proibir a operação das casas de apostas no Brasil. Segundo a Reuters, a medida seria motivada por preocupações com o endividamento das famílias e o chamado jogo problemático. O setor financeiro reforça esse argumento, já que 29% dos apostadores estariam hoje com o nome negativado, segundo dados citados pela imprensa.
O argumento dos clubes
No texto, as entidades reconhecem os impactos sociais da expansão das apostas, mas defendem que o problema seja combatido por meio de fiscalização, educação e prevenção, sem o fim do mercado regulamentado. Segundo o manifesto, banir as plataformas legais não faria as apostas desaparecerem, apenas empurraria os consumidores para sites clandestinos, sem tributação, sem limites e sem qualquer mecanismo de proteção ao apostador.
Os clubes também alertam que uma mudança repentina nas regras comprometeria contratos já firmados e planejamentos plurianuais, construídos dentro do próprio marco regulatório criado pelo Estado.
O peso financeiro das bets no futebol
Atualmente, 13 clubes da Série A têm empresas de apostas como patrocinadoras máster, movimento que gera cerca de R$ 1 bilhão em receitas de patrocínio, segundo levantamento citado pelo UOL. Para os clubes, esses recursos hoje sustentam estruturas administrativas, centros de treinamento, projetos sociais e áreas que não se pagam sozinhas, como o futebol feminino e a formação de base.
O fechamento do manifesto
O documento termina com um recado direto: “O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é quem acaba.”






