O Internacional vive hoje a pior crise institucional de sua história recente, e o nome por trás dela tem sobrenome: Barcellos. Alessandro Barcellos assumiu a presidência em janeiro de 2021 prometendo gestão profissional e recuperação financeira. Cinco anos depois, entrega ao torcedor colorado um clube financeiramente quebrado, tecnicamente enfraquecido e institucionalmente à deriva.
O ponto mais grave é o financeiro. A dívida do Inter, que já rondava R$ 850 milhões no fim de 2025, hoje se aproxima de R$ 1 bilhão. Um relatório da consultoria Alvarez & Marsal, contratada pelo próprio clube, apontou a recuperação judicial como o caminho mais realista para reorganizar as contas, à frente até da recuperação extrajudicial. Na prática, o Colorado está de joelhos financeiramente, e a solução técnica que resta é a mesma usada por empresas em risco de falência.
A crise financeira já extrapolou os relatórios de consultoria e virou rotina no dia a dia do clube. Segundo relatos de bastidores, o Inter atrasa pagamentos a jogadores e chega a descumprir acordos com empresários e outros clubes. O jornalista Alexandre Ernst chegou a classificar publicamente a atual gestão como um clube de dirigentes caloteiros, que não pagam os próprios acordos.
Na temporada passada, o Inter só escapou do rebaixamento à Série A na última rodada, vencendo o Bragantino e torcendo por tropeços de Ceará e Fortaleza, depois de entrar no dia com 70% de chance de cair segundo projeções estatísticas. Não foi competência, foi um resultado combinado de última hora que salvou a gestão de um desastre ainda maior. Neste ano, o time está na zona de rebaixamento e por lá deve ficar.
Se o time principal escapou por pouco, a base não teve a mesma sorte. Pela primeira vez na história do novo formato de competições da CBF, o Internacional foi rebaixado no Brasileirão Sub-20, com uma campanha pífia de apenas 15 pontos em 19 jogos, terminando na 18ª colocação. O tradicional Celeiro de Ases, historicamente uma das maiores referências de formação de jogadores do país, caiu para a Série B da categoria. Isso não é acidente, é reflexo direto de uma gestão que negligenciou investimento e planejamento em todas as frentes do clube, não só no elenco profissional.
O ponto mais simbólico da crise aconteceu na última quinta-feira (3), na Arena, diante de mais de 55 mil torcedores gremistas, o maior público da história do estádio. O Inter perdeu o Gre-Nal decisivo das quartas de final da Copa do Brasil por 3 a 1, fechando a eliminatória com agregado de 3 a 0, depois de um 0 a 0 no jogo de ida. Foi a primeira vez na história que o Grêmio elimina o Internacional em um mata-mata fora de competições estaduais, um tabu de mais de um século derrubado justamente na gestão Barcellos.






