O Brasil voltou a ser devedor internacional líquido pela primeira vez em 19 anos. Segundo dados do Banco Central, a dívida externa do país chegou a US$ 407,1 bilhões em junho. Por outro lado, as reservas internacionais, somadas aos créditos do país no exterior, ficaram em US$ 402 bilhões.
Assim, a diferença deixou o país com um saldo devedor líquido de US$ 5,1 bilhões. O Brasil era credor externo desde 2007, quando as reservas passaram a superar o total devido ao exterior.
De acordo com levantamento do Estadão/Broadcast, a dívida externa cresceu 27,4% durante o atual governo. No mesmo período, as reservas avançaram 15,8%. Por isso, as obrigações com o exterior passaram a crescer mais rápido do que a proteção em moeda estrangeira.
O valor da dívida é o maior da série histórica de 40 anos do Banco Central. Além disso, o número inclui empresas, bancos e governo, e não apenas a dívida do Tesouro.
Contas externas no vermelho
O avanço da dívida ocorre junto com a piora das contas externas. O déficit em transações correntes, que mede a troca de bens, serviços e renda com o exterior, passou de US$ 27 bilhões em 2023 para US$ 67,4 bilhões. Com isso, o país depende cada vez mais do investimento estrangeiro para fechar a conta.
Nos 12 meses até junho, o investimento direto no país somou US$ 89 bilhões e ainda cobriu o rombo. No entanto, a folga encolheu nos últimos anos. Para o economista Ricardo Trevisan, da Gravus Capital, a tendência preocupa mais do que o número atual. “O que preocupa não é a foto, é o filme”, afirmou ao site O Brasilianista.
Sem risco de crise imediata
Apesar do marco, economistas afirmam que o dado não indica uma crise cambial. A dívida externa líquida equivale a menos de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Da mesma forma, as reservas ainda cobrem mais de três vezes as dívidas que vencem no curto prazo.
Quase três quartos da dívida externa pertencem ao setor privado, e parte dela corresponde a empréstimos entre matrizes e filiais. Contudo, a mudança tira do país uma das proteções que sustentavam a nota de crédito brasileira. Portanto, o Brasil fica mais exposto a choques externos, como alta de juros nos Estados Unidos ou queda no preço das commodities.






