O partido Novo apresentou neste sábado (8) uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa formada por Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB), candidatos à reeleição em 2026. O partido pede a cassação dos registros e a declaração de inelegibilidade dos dois por oito anos.
O pedido é motivado pelo desfile da Acadêmicos de Niterói, escola de samba que homenageou Lula no Carnaval deste ano. Na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), o Novo acusa a chapa de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
O que o Novo alega
Segundo a legenda, o desfile teve caráter de promoção eleitoral antecipada. Os advogados do partido afirmam que a Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 9,6 milhões para o Carnaval, dos quais R$ 4 milhões teriam vindo da prefeitura de Niterói. O restante, segundo o Novo, veio das prefeituras do Rio de Janeiro e do governo do Rio de Janeiro, além da Embratur.
“É inaceitável que fique por isso mesmo”, afirmou o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, em nota.
O partido cita como precedente um caso de 2006, quando o PT questionou na Justiça o uso de recursos públicos após um desfile da Leandro de Itaquera homenagear Geraldo Alckmin, então governador de São Paulo e adversário de Lula na disputa presidencial daquele ano.
O que diz o governo
O governo Lula negou, em fevereiro, ter destinado recursos públicos à Acadêmicos de Niterói ou ter participado da escolha e da elaboração do enredo da escola. A agremiação terminou o Carnaval na última colocação do Grupo Especial e foi rebaixada.
O samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” narrou a trajetória de Lula, da infância em Garanhuns (PE) até o retorno ao Palácio do Planalto. O desfile teve alas sobre greves operárias, programas sociais e episódios ligados à prisão e à posterior anulação das condenações do presidente.
Alegorias trouxeram referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representado como um palhaço com trajes de presidiário. A letra do samba reproduziu gritos de militância do PT e citou, em dois momentos, o número de urna do partido.
Lula acompanhou o desfile de um camarote da prefeitura do Rio, ao lado de ministros e do então prefeito Eduardo Paes (PSD). A primeira-dama Janja, inicialmente escalada para o último carro alegórico da escola, não desfilou; seu lugar foi ocupado pela cantora Fafá de Belém.
Próximos passos
A ação agora será analisada pelo TSE, que decidirá se aceita o processamento do pedido de cassação e inelegibilidade. Até a publicação desta matéria, não havia prazo definido para uma manifestação do tribunal.






