Uma disputa pelo número de urna 1313 provocou uma crise interna no diretório do PT do Rio de Janeiro. O vice-presidente nacional do partido e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, transferiu o número, usado por ele em 2022, para o filho Diego Quaquá, presidente estadual da legenda no Rio.
Em protesto, os pré-candidatos a deputado federal Lindbergh Farias e Marcelo Freixo enviaram uma queixa oficial à Executiva Nacional do PT em 1º de agosto. As informações são do jornal O Globo, replicadas pelo Poder360.
Diego Quaquá estreia nas urnas em 2026
Diego disputará eleição pela primeira vez neste ano, na tentativa de uma cadeira na Câmara dos Deputados. Pelas regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o número de urna de candidatos a deputado federal precisa conter o número do partido, o 13 do PT, acrescido de dois algarismos à direita.
A escolha da combinação final cabe às siglas durante as convenções partidárias. Critérios comuns incluem direito de preferência para quem já ocupa mandato, prioridade para lideranças influentes e sorteio interno em caso de disputa entre candidatos do mesmo partido.
Por que o número 1313 é disputado
O 1313 é considerado fácil de memorizar, o que costuma render mais votos. Pela regra interna do PT, quem usou um número em eleição anterior tem prioridade para repeti-lo, o que favoreceria Quaquá, não seu filho.
Como estreante no pleito, Diego não se enquadra no perfil que normalmente recebe direito a números disputados. Parte da bancada fluminense do partido considera que o pai não poderia simplesmente transferir o número como herança.
Lindbergh e Freixo cobram democracia interna
Em vídeo publicado nas redes sociais, Freixo classificou a decisão como incompatível com os princípios do partido. “O PT não pode ser conduzido como uma capitania hereditária no Rio de Janeiro”, afirmou.
Lindbergh reforçou a crítica. “Não é questão de número, é questão de democracia interna, é questão da boa condução da campanha do Lula no Estado do Rio”, disse. Ele completou que é “inaceitável que interesses familiares orientem as decisões estratégicas do PT” e que o partido “não pode se apequenar”.
Quaquá rebate e defende decisão
Quaquá respondeu às críticas em vídeo publicado em suas redes sociais. Ele afirmou ter permanecido ao lado de Lula em momentos que considera decisivos, ao contrário dos colegas de partido.
Segundo Quaquá, Freixo apoiou o ex-juiz Marcelo Bretas e a Operação Lava Jato contra Lula, enquanto Lindbergh chegou a cogitar deixar o PT para fundar o PSOL ao lado de Heloísa Helena. Ele disse ter organizado caravanas em Curitiba durante a prisão do ex-presidente.
O prefeito de Maricá também argumentou que o número pertence à cidade por ser a principal base eleitoral do PT no Estado do Rio de Janeiro.






