O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quarta-feira (29) da convenção nacional do PSB, que oficializou a candidatura de Geraldo Alckmin como vice-presidente na chapa que disputará a reeleição em outubro. No discurso, Lula chamou Jair Bolsonaro de “homicida” e usou a pandemia como principal munição de ataque ao campo adversário.
“Veio a Covid e o SUS finalmente conseguiu ter a visibilidade por causa da decência dos médicos, das enfermeiras, dos faxineiros, dos motoristas, que colocaram a sua vida em risco para salvar quem estava nas mãos de um homicida chamado Bolsonaro, que é responsável por mais da metade das pessoas que morreram neste país”, declarou o presidente.
Alckmin como escudo eleitoral
A estratégia de Lula em relação ao vice ficou clara no tom do elogio. O presidente não destacou realizações de Alckmin no cargo, mas o apresentou como uma garantia de estabilidade e de ausência de sobressaltos institucionais.
“Com o Alckmin, a gente nunca vai pensar que vai dormir e vai ter um golpe no dia seguinte. Porque o Alckmin, antes de tudo, é um homem de muita lealdade, de muita capacidade de trabalho e de muita honestidade”, afirmou Lula.
O uso de Alckmin como antídoto ao discurso de instabilidade é uma aposta consciente da campanha petista: o vice-presidente carrega um perfil moderado e tem apelo em segmentos do eleitorado que desconfiam tanto do PT quanto do bolsonarismo.
Alckmin e o ataque direto ao bolsonarismo
O vice-presidente também subiu o tom em seu discurso. “Não é possível falar de família com nós tendo 700 mil famílias pela displicência, pelo descaso do governo frente à doença. Não é possível falar em liberdade querendo derrubar a democracia”, afirmou, em referência direta às mortes na pandemia e à tentativa de golpe de Estado pela qual Jair Bolsonaro foi condenado.
Alckmin ainda foi além: “Quem não acredita na democracia não devia nem disputar a eleição, não devia pedir o voto para o povo brasileiro.”
O cenário eleitoral
A chapa Lula-Alckmin enfrenta Flávio Bolsonaro (PL) como principal adversário, com Ronaldo Caiado (PSD-Kassab) ocupando o espaço do centro-direita moderado. O tom do discurso desta quarta revela que a estratégia petista para o primeiro turno é clara: consolidar o eleitorado de esquerda com ataques ao legado de Jair Bolsonaro e usar Alckmin para segurar o centro.
A campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.






