Ministros do Supremo Tribunal Federal consideram que Alexandre de Moraes cometeu um erro ao proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pelo prazo de 90 dias. A avaliação, relatada supostamente por integrantes do próprio tribunal à CNN Brasil, é de que a medida foi exagerada e representa um “erro estratégico” do ministro.
A preocupação entre os colegas de Moraes é de ordem política e institucional. A decisão, segundo essa análise, abre margem para interpretações que reforçam narrativas já consolidadas no campo bolsonarista: a de que o STF persegue politicamente o ex-presidente e seus aliados e a de que Bolsonaro não deveria estar preso. Em vez de neutralizar esse discurso, a proibição de visitas teria o efeito oposto, fornecendo combustível concreto para a oposição.
A repercussão foi imediata. Mais de 9 mil advogados assinaram representação encaminhada à Ordem dos Advogados do Brasil contestando a decisão, o que elevou ainda mais o custo político da medida e ampliou o debate sobre seus fundamentos jurídicos.
O episódio também ganhou contornos simbólicos relevantes. Desde que foi preso, Bolsonaro já havia divulgado ao menos uma carta pública, e durante o período de restrição de visitas o ex-presidente seguiu comunicando-se com o público por meio de cartas distribuídas por aliados, o que esvaziou na prática o efeito de isolamento pretendido pela decisão.
O episódio expõe uma tensão interna no tribunal sobre os limites das medidas restritivas aplicadas ao ex-presidente e a seus familiares. Enquanto parte dos ministros defende que as decisões de Moraes são tecnicamente fundamentadas, outro grupo avalia que determinadas ações extrapolam o necessário e geram custos políticos para a imagem do STF em ano eleitoral.






