A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, enviou por WhatsApp ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro a minuta do contrato de honorários no valor de R$ 129 milhões para a prestação de serviços jurídicos ao Banco Master. Os diálogos foram divulgados pelo Estadão e confirmados por outros veículos.
Em 17 de janeiro de 2024, Viviane escreveu: “Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço”, e em seguida anexou o documento identificado como “Minuta Contrato Banco Master Final”. Dias depois, em 22 de janeiro, Vorcaro respondeu: “Oi, tudo bem? Como podemos proceder na assinatura? Prefere eletronicamente ou mando as vias físicas assinadas?”

Os diálogos foram extraídos pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, e foram anexados ao inquérito que investiga o vazamento de informações sobre a família de Alexandre de Moraes.
O contrato previa que o escritório Barci de Moraes recebesse uma remuneração mensal de R$ 3,6 milhões durante três anos, de 2024 a 2027, atuando em defesa do banco perante o Banco Central, a Receita Federal, o Congresso e outras instâncias. O contrato não especificava processos ou causas, apenas estabelecia que o escritório deveria representar o Banco Master “onde for necessário” sempre que solicitado.
Dados da Receita Federal encaminhados à CPI do Crime Organizado apontam que o Banco Master transferiu mais de R$ 80 milhões ao escritório de Viviane Barci de Moraes entre 2024 e 2025, sob a rubrica de honorários advocatícios e consultoria. Segundo a investigação, os repasses teriam sido interrompidos após a prisão de Vorcaro e a liquidação do Banco Master.
Documentos apreendidos pela Polícia Federal indicam ainda que Vorcaro teria financiado um evento em Londres em abril de 2024 que custou mais de R$ 3 milhões, com degustação do uísque Macallan. Entre os 40 convidados estavam os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski.
O caso se soma ao conjunto de investigações da Operação Compliance Zero que envolvem figuras do alto escalão do Judiciário e do governo federal no escândalo do Banco Master, um dos maiores da história recente do sistema financeiro brasileiro.






