O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, tomou uma série de decisões nesta quarta feira (9). O objetivo era conter a crise institucional mais grave da história recente da Corte. Para isso, ele suspendeu as liminares de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal. Também convocou sessão plenária extraordinária, presencial, para o dia 15 de setembro, às 10h. Nessa data, os 11 ministros terão de decidir o caso juntos, na mesma sala.
Fachin anulou a decisão de Mendonça, que havia afastado o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Da mesma forma, anulou a decisão de Dino, que havia revertido esse afastamento poucas horas depois. Na prática, Andrei Rodrigues segue no cargo até o plenário decidir em definitivo, já que as duas ordens anteriores caíram ao mesmo tempo. Além disso, Fachin determinou que qualquer investigação contra ministros do Supremo passe pelo crivo prévio da Presidência da Corte. Por consequência, ele também suspendeu a tramitação da petição relatada por Mendonça.
Moraes perde a relatoria do inquérito das fake news
Em outra frente, Fachin tirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news, procedimento que o ministro conduzia desde 2019. Esse mesmo inquérito embasou o pedido de investigação contra Mendonça. Portanto, essa é a primeira troca de relator desde a criação do procedimento.
++++ Edson Fachin marca sessão Plenária para o dia 15/9 sobre o relatório da PF que revelou mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes para decidir se o ministro será investigado. pic.twitter.com/ylLEKQMkH8
— Sam Pancher (@SamPancher) September 9, 2026
Por que o dia 15 promete ser histórico
Nunca antes o plenário do STF havia convocado uma sessão às pressas para um caso assim. Isso porque a sessão extraordinária e presencial busca resolver um conflito direto entre ministros da própria Corte. Em apenas nove dias, o tribunal mudou completamente de cenário. Tudo começou com um relatório de inteligência da PF sobre o Banco Master. Desde então, ministros passaram a anular ordens uns dos outros. Fachin cancelou uma sessão e trocou o relator do inquérito das fake news às pressas. Diante disso, ele convocou os 11 ministros para uma reunião de emergência. Ex-presidentes da Casa já classificam o momento como a crise interna mais aguda que o tribunal já enfrentou.
A sessão do dia 15 vai analisar a Petição 16.662, de relatoria de Mendonça. Esse processo reúne as conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Entre os indícios, está a suspeita de que o próprio Moraes editou um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa dele. Além disso, também está em jogo a acusação formal que Moraes apresentou contra Mendonça, por suposta improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Fachin reuniu essa acusação em um novo procedimento, a Petição 16.704.
Lado a lado por regra, não por escolha
Um detalhe simbólico ganhou destaque na imprensa: a regra de antiguidade do STF organiza os assentos do plenário pela data de posse de cada ministro. Por causa dela, Mendonça deve apresentar o relatório sentado ao lado do próprio Moraes. A proximidade física não é escolha de nenhum dos dois, e sim protocolo regimental. Ainda assim, ela ganha peso simbólico diante do momento. O relator vai expor ao colegiado o conteúdo das mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro. Fará isso cara a cara e ombro a ombro com o colega. Em sessões recentes, aliás, os dois já dividiram a bancada sem trocar uma palavra sequer. É a chamada paz armada que hoje define a relação entre os dois ministros mais centrais da crise.






