Uma planilha encontrada nas investigações do caso Banco Master registra pagamento pendente de R$ 1 milhão ao empresário e ex-senador Chiquinho Feitosa. Na época, ele ainda era cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. A informação foi revelada nesta segunda feira (21) pela colunista Malu Gaspar, de O Globo.
O material estava no celular de Fabiano Zettel, empresário e pastor identificado pela Polícia Federal como operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em 10 de janeiro de 2025, Zettel encaminhou a Vorcaro uma lista de pagamentos pendentes. Nela, aparecia a identificação “FA (Chiquinho)” ao lado do valor de R$ 1 milhão, referente aos meses de dezembro e janeiro. Além disso, a planilha continha outras despesas, como gastos com aeronaves, condomínios e impostos atrasados.
O contrato com a Super Empreendimentos
Segundo reportagens anteriores da Folha de S.Paulo e do Estadão, Chiquinho Feitosa mantinha contrato mensal de R$ 500 mil com a Super Empreendimentos, empresa da rede de Vorcaro sob suspeita de lavagem de dinheiro. Procurado à época, o ex-senador confirmou o negócio. Porém, afirmou que a prestação de serviços durou curto período e que, naquele momento, não havia qualquer suspeita pública contra a empresa contratante.
O elo com Gilmar Mendes
Na época em que a planilha foi enviada a Vorcaro, Chiquinho ainda era cunhado de Gilmar Mendes. O ministro se divorciou de Guiomar Feitosa, irmã de Chiquinho, em novembro de 2025, cerca de dez meses depois do envio do documento. Chiquinho foi senador e deputado federal. Hoje, preside o Republicanos no Ceará e também atua no setor de transportes.
Mensagens obtidas pela investigação mostram que, em abril de 2024, Chiquinho aconselhou Vorcaro a estabelecer relação direta com Gilmar Mendes. Em mensagem enviada em 19 de abril daquele ano, classificou o ministro como pessoa importante para o futuro e se colocou como ponte entre os dois. Em outra conversa, chegou a se referir ao próprio Vorcaro como “irmão”.
O processo da Destilaria Alcídia
O gabinete de Gilmar Mendes informou que o ministro recebeu Vorcaro em audiência institucional em 11 de abril de 2024, em seu gabinete no STF, para tratar de processo envolvendo a Destilaria Alcídia, do grupo Atvos. Segundo a assessoria, o encontro ocorreu na presença de advogados, e Chiquinho não participou da reunião. O processo discutia indenização por prejuízos atribuídos à política de controle de preços do governo na década de 1980, com valores entre R$ 350 milhões e R$ 500 milhões. Esse mesmo resultado também interessava a Vorcaro, segundo a investigação.
O que ainda falta esclarecer
Procurado pela equipe de Malu Gaspar sobre a nova informação da planilha, Chiquinho não se manifestou até a publicação da coluna. Já o ministro Gilmar Mendes havia afirmado anteriormente não ter conhecimento de tratativas privadas entre o ex-cunhado e o banqueiro. Assim, reforçou que receber advogados em audiência é dever previsto em lei.






