O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), comandou uma carreata em apoio à reeleição do presidente Lula (PT) na cidade de Patos, no Sertão paraibano. Durante o ato, Motta apareceu usando um boné vermelho com o nome do petista.
Nesta segunda feira (14), um dia depois da carreata, Motta reafirmou o apoio em agenda na capital, João Pessoa. Segundo ele, a posição é pública e está ligada a ações do governo federal que, na avaliação dele, beneficiam a Paraíba e o Nordeste, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a votação da escala 6×1 na Câmara e investimentos em infraestrutura hídrica na região.
O histórico do apoio
Motta já havia declarado publicamente o apoio a Lula em agosto, dias depois de o Republicanos definir neutralidade na disputa presidencial em nível nacional, liberando diretórios estaduais para fechar alianças próprias. A movimentação chamou atenção porque foi o próprio Jair Bolsonaro quem determinou, em 2024, o apoio do PL à candidatura de Motta à presidência da Câmara.
Na época, o então líder do partido, deputado Altineu Côrtes, confirmou publicamente que a orientação partiu de uma decisão direta do ex-presidente, alinhada com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. A escolha surpreendeu parte do próprio bolsonarismo, já que Motta vinha do Republicanos, partido de centro, e não tinha histórico de proximidade ideológica com o núcleo mais radical do PL.
Motta foi eleito em fevereiro de 2025 com uma base que ia do PL ao PT, prova de que nunca representou de fato os interesses da oposição, apenas um acordo de conveniência. Ao longo do mandato, ele manteve distância proposital de qualquer posição mais firme à direita, evitando embates que pudessem desgastá-lo com o governo. A declaração de apoio à reeleição de Lula, feita agora, não é uma traição repentina: é a confirmação de um alinhamento que sempre esteve ali, disfarçado sob o rótulo de centrão pragmático.






