Cuba registrou em 2025 uma das piores marcas demográficas de sua história recente. As mortes somaram 136.214, o dobro dos 68.064 nascimentos, reflexo do acelerado envelhecimento da população da ilha, segundo dados divulgados nesta quinta feira (20) por veículos estatais cubanos.
Uma população cada vez mais velha
O país caribenho tem hoje 26,7% de sua população com 60 anos ou mais. A taxa global de fecundidade ficou em 1,29 filho por mulher pelo segundo ano consecutivo, o menor patamar desde 1958, bem abaixo do limite de 2,1 considerado necessário para repor gerações.
Segundo o Centro de Estudos de População e Desenvolvimento, ligado ao Escritório Nacional de Estatística e Informação de Cuba, a população efetiva da ilha fechou 2025 em 9.434.593 pessoas, sendo 7.044.773 em áreas urbanas e 2.389.820 em zonas rurais.
Havana apresenta a maior taxa de queda populacional do país, com o bairro Plaza de la Revolución concentrando o maior índice de envelhecimento, 38,2% dos moradores com 60 anos ou mais. Guantánamo, por outro lado, lidera a natalidade nacional e tem a menor taxa de queda populacional entre as províncias.
O êxodo migratório
Cuba perdeu 245.264 habitantes só em 2025 por causa da migração, o equivalente a 2,5% da população total, marcando um êxodo sem precedentes. É o nono ano consecutivo de perda populacional no país, atribuída principalmente à crise econômica, aos apagões prolongados, à escassez de produtos básicos, à alta inflação e à contração do PIB.
Em 2017, a ilha tinha 11.239.224 habitantes. A queda acumulada em oito anos chega a 16%, segundo dados oficiais, mas estimativas independentes elevam esse número a até 24%.
Novos destinos
Com o fechamento do fluxo migratório para os Estados Unidos, cubanos passaram a escolher outros destinos, como Brasil, México, Guiana e Uruguai, enquanto a Espanha se consolidou como o principal destino fora do continente americano. Estimativas oficiais apontam que mais de três milhões de cubanos vivem hoje no exterior.
Impacto na força de trabalho
A população em idade laboral caiu de 6.866.435 pessoas em 2021 para 5.606.541 em 2025. Especialistas do centro de estudos cubano e do Fundo de População das Nações Unidas defendem a criação de políticas e serviços adaptados à nova estrutura demográfica do país, com foco em descentralização territorial, já que todas as províncias registram perdas populacionais.






