A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo ultrapassou 5 mil casos confirmados, segundo dados divulgados nesta quarta feira (19) pelo Ministério da Saúde do país. Ao todo, foram registrados 5.021 casos e 2.378 mortes.
Segundo autoridades de saúde, o atual surto já infectou e matou mais pessoas, em ritmo mais acelerado, do que qualquer outro surto de Ebola da história. Desde o primeiro caso detectado, a doença tem se espalhado cerca de três vezes mais rápido do que o surto que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, até hoje o mais mortal já registrado, com mais de 11 mil mortes.
O número de mortos já superou o surto de 2018 a 2020 no leste do país, que até então era considerado o mais letal da história congolesa, com 2.299 óbitos em um total de 3.381 casos confirmados.
Contexto do surto
O surto, o 17º registrado no país desde 1976, foi declarado em 15 de maio, com semanas de atraso, em regiões do norte e leste onde a presença do Estado é frágil e a infraestrutura de saúde é precária. A propagação é impulsionada pela insegurança, por deslocamentos forçados e pela intensa movimentação de pessoas na região.
A doença está associada à cepa Bundibugyo do vírus Ebola, cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50%, para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Alerta da OMS
Em reunião realizada nesta semana, o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a epidemia está longe de estar sob controle e que o risco de maior disseminação nacional e internacional permanece alto.
Profissionais de saúde no terreno relatam exaustão e sobrecarga de trabalho, agravadas por atrasos no pagamento de salários, o que já levou parte da equipe a entrar em greve em meio à resposta ao surto.
Impacto regional
A epidemia já atingiu a vizinha Uganda, que chegou a declarar o país livre do Ebola em 28 de julho, após registrar 20 casos confirmados, incluindo 15 importados da República Democrática do Congo, com duas mortes.






