A inflação mayorista da Argentina, medida pelo Índice de Preços Internos ao Por Maior, registrou alta de 0,8% em julho de 2026, o menor patamar mensal em 14 meses, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos. O número contrasta com os 54% registrados em dezembro de 2023, mês em que o presidente Javier Milei assumiu o governo e promoveu uma devaluação abrupta do peso.
O salto de dezembro de 2023 foi consequência direta da desvalorização cambial de 118% aplicada pelo governo Milei logo no início do mandato, que se refletiu de forma quase linear nos preços mayoristas, compostos majoritariamente por bens sujeitos ao câmbio. Na ocasião, os produtos nacionais subiram 51,1% e os importados, 80,6%, levando a inflação mayorista acumulada de 2023 a 276,4%.
Já em julho deste ano, o índice desacelerou 0,3 ponto percentual em relação a junho, quando havia marcado 1,1%. Os produtos nacionais subiram 0,8% e os importados, 0,5%. A queda de 9,2% no preço do petróleo bruto e do gás foi o principal fator de contenção do índice geral, com impacto negativo de 0,9 ponto percentual. Sem esse efeito, segundo economistas consultados pela imprensa argentina, a inflação mayorista do mês teria ficado próxima de 1,7%.
No acumulado de 2026, a inflação mayorista soma 16,6%, e na comparação interanual chega a 31,1%, ainda distante da meta de convergência com padrões internacionais defendida pelo governo.
A repercussão política
O presidente Javier Milei e o ministro da Economia, Luis Caputo, celebraram o resultado nas redes sociais, destacando a queda em relação ao mesmo mês de 2023. Milei já havia prometido, após a vitória eleitoral de outubro de 2025, que a inflação começaria com zero em agosto deste ano.






