A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais prazo para concluir dois inquéritos que investigam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Os processos também miram a lobista Roberta Luchsinger e apuram um suposto esquema de tráfico de influência em órgãos do governo federal.
A PF enviou o pedido ao ministro André Mendonça, relator dos casos, em 2 de outubro, quando venceu o prazo inicial de 60 dias. Segundo a corporação, a prorrogação é “necessária” para concluir diligências que ainda estão em andamento. No entanto, Mendonça ainda não analisou os pedidos.
Isso acontece porque os processos ligados aos casos do INSS e do Banco Master estão parados na presidência do STF desde setembro. Por isso, o ministro enviou um ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, para pedir a devolução dos autos ao seu gabinete.
O que a PF investiga
O primeiro inquérito apura se Lulinha favoreceu, junto ao Ministério da Saúde, uma empresa de produtos de cannabis medicinal ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A PF aponta Antunes como um dos principais operadores dos descontos ilegais em aposentadorias. Além disso, os investigadores suspeitam que Lulinha seja sócio oculto dele no negócio.
Já o segundo inquérito investiga se o filho do presidente atuou para beneficiar a empresa de tecnologia 3Structure junto à Dataprev. A empresa tem contratos de cerca de R$ 55,7 milhões com o governo federal.
Os investigadores também querem saber quem pagou as viagens de Lulinha e de Roberta desde 2023. Em junho de 2024, os dois foram a Portugal, e o Careca do INSS chegou ao país poucos dias depois. Da mesma forma, a PF analisa agendas em órgãos públicos, vínculos societários e movimentações bancárias do grupo.
Defesas falam em uso eleitoral
A defesa de Lulinha afirmou que os extratos bancários entregues à CPMI do INSS não trouxeram nada que o comprometa. Segundo os advogados, o STF “não chancelará uma devassa sem objeto”.
Por outro lado, o advogado de Roberta Luchsinger, Roberto Podval, defendeu o arquivamento do caso. “O inquérito já dura um ano sem que tenha absolutamente nada que justifique tal prorrogação”, disse à CNN Brasil. Para a lobista, qualquer movimento agora “indica interesse político-eleitoral”.
Contudo, a 3Structure afirma que venceu as licitações dentro das regras e sem intermediação de terceiros. Portanto, todos os investigados negam irregularidades, e o pedido da PF ainda depende de decisão do STF a quatro dias do segundo turno.




