O Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento investigatório criminal contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O objetivo é apurar se ele divulgou de forma indevida informações sigilosas da Operação Sem Desconto, que investiga descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS. O procurador da República Gabriel Pimenta Alves assinou a portaria no dia 15, e o Diário Oficial do MPF publicou o ato nesta terça-feira (20).
O caso tem origem em uma entrevista de abril de 2025 ao site ICL Notícias. Na ocasião, Andrei afirmou que o Sindnapi, sindicato de aposentados, não era alvo da operação. A entidade tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula. “Tampouco os seus dirigentes foram alvos de qualquer medida”, disse o diretor-geral. Sobre Frei Chico, completou: “Não é alvo da operação, não é investigado na operação”.
No entanto, o sindicato já estava sob investigação naquele momento. Além disso, a entidade sofreu busca e apreensão em 23 de abril de 2025, segundo a Gazeta do Povo.
Arquivamento rejeitado
O procedimento começou com um parecer pelo arquivamento do caso. Contudo, a 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF não aceitou o pedido e mandou aprofundar as apurações. Assim, o órgão vai analisar se houve violação de sigilo funcional, crime previsto no artigo 325 do Código Penal, e possível improbidade administrativa.
Dessa forma, a portaria determina que Andrei preste esclarecimentos formais por meio de ofício. Em seguida, o MPF vai juntar a decisão judicial que decretou o sigilo do inquérito sobre o Sindnapi. Por fim, o procedimento segue para a Justiça Federal no Distrito Federal, sob acompanhamento do juiz de garantias.
Sindicato na mira da CPMI
Segundo o relatório final da CPMI do INSS, divulgado em março, o Sindnapi recolheu R$ 599,5 milhões em descontos de aposentados ao longo de dez anos. No mesmo mês, a Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 562,4 milhões da entidade. Por outro lado, Frei Chico aparece no relatório da comissão, mas a CPMI não pediu o indiciamento dele.
Procurada, a PF informou que não vai se manifestar sobre o caso. Da mesma forma, Andrei disse ao Metrópoles que não pretende comentar a decisão do MPF. Portanto, a abertura do procedimento não significa culpa, e o diretor-geral ainda poderá apresentar sua versão aos procuradores.




