Antes mesmo de o eleitor voltar às urnas no segundo turno, o Centrão já decidiu quem deve comandar a Câmara dos Deputados a partir de 2027. Dez partidos anunciaram nesta quarta-feira (14) apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Casa. A eleição da Mesa Diretora acontece em fevereiro.
O bloco reúne Republicanos, União Brasil, PP, PSD, MDB, Podemos, PSDB, Cidadania, Solidariedade e PRD. Juntas, as siglas somam 252 deputados. Ou seja, ficam a apenas cinco votos dos 257 necessários para vencer em primeiro turno.
Em nota conjunta, os partidos disseram que o objetivo é “dar continuidade ao trabalho que temos construído por uma Câmara plural”. No entanto, o próprio movimento revela outra prioridade. Segundo o Metrópoles, a aliança busca “preservar o espaço político das siglas na Mesa Diretora e nas comissões”.
Maior bancada fica de fora
O acordo ignora o principal recado das urnas para a Câmara. Afinal, o PL elegeu 121 deputados e terá a maior bancada da próxima legislatura. Ainda assim, o partido não participa do bloco e discute lançar candidatura própria, com nomes como Sóstenes Cavalcante (RJ) e Altineu Côrtes (RJ).
A resistência do PL tem motivo claro. Motta declarou apoio à reeleição do presidente Lula (PT) já no primeiro turno. Além disso, parlamentares da legenda apontam divergências com a condução da pauta legislativa pelo atual presidente da Câmara.
Dessa forma, o Centrão tenta antecipar o jogo e isolar a maior bancada antes mesmo da posse dos novos deputados.
Dependência da esquerda
Mesmo com dez partidos, a conta de Motta ainda não fecha com folga. Por isso, a federação PT-PCdoB-PV, com 88 deputados, pode voltar a ser decisiva, como ocorreu em 2025. Portanto, o candidato do Centrão pode chegar ao comando da Casa com votos da esquerda, apesar de uma oposição que saiu fortalecida das urnas.
Contudo, o anúncio não garante o resultado. A votação é secreta, e o apoio formal das cúpulas não obriga cada deputado a seguir a orientação partidária.






