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Nasce no silo, cresce no servidor: como o interior do Paraná está levando inteligência tecnológica ao agronegócio nacional

Produtores rurais perdem bilhões por ano com ineficiência. No Oeste do Estado, uma startup combate o desperdício e amplia a competitividade de pequenos produtores

Henrique Speck Por Henrique Speck
08/06/2026
in Paraná
0
Nasce no silo, cresce no servidor: como o interior do Paraná está levando inteligência tecnológica ao agronegócio nacional

Fazenda paranaense com itens que demonstram a inovação e tecnologia

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Por Henrique Speck

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Por mais de 30 anos, o avicultor Mário Zuck acordou cedo em São João do Oeste, no Oeste do Paraná, para cuidar do seu aviário. Durante todo esse tempo, um problema persistia silencioso: controlar o estoque de ração nos silos era uma questão de estimativa, palpite e fé. Não havia painel, não havia sensor, não havia dado. Havia um homem que batia com a mão na parede do silo tentando adivinhar o que tinha dentro.

“Tinha que bater com as mãos e calcular, era aquele problema. A gente não sabia bem certo, calculava e às vezes ficava faltando”, lembra Mário. Para um avicultor que depende da ração para manter centenas de frangos vivos e saudáveis até o dia do carregamento, ficar sem estoque não é apenas um transtorno operacional. É prejuízo certo, compra emergencial e planejamento jogado fora.

Mário demonstrando na prática as dificuldades do modelo antigo.

A alguns quilômetros dali, em Toledo, dois jovens empreendedores estavam construindo a resposta para esse problema sem saber exatamente quem seria o primeiro a precisar dela. Lucas Lima e Pedro Zaura desenvolveram um sensor e uma plataforma que transformaria o silo de Mário, e de milhares de outros produtores, em fonte de informação em tempo real. Do outro lado desse problema cotidiano, havia um mercado de escala bilionária esperando por uma solução, que foi criada por um pequeno negócio.

Havia um problema que ninguém queria nomear em voz alta. Produtores rurais tomando decisões de centenas de milhares de reais praticamente no escuro. Cooperativas gerenciando estoques com estimativas visuais. Silos cheios de grãos monitorados da mesma forma há décadas: alguém subindo, olhando, chutando um número. Métodos improvisados que faziam parte da rotina de quem nunca teve outra opção.

O problema que o Brasil prefere não calcular

O agronegócio brasileiro bate recordes de produção há anos consecutivos. O Paraná, sozinho, figura entre os maiores produtores de grãos do país, com uma cadeia agroindustrial que responde por 28,3% do PIB estadual, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep/Ipardes, 2025). Só o Oeste do Paraná, com seus 53 municípios e 1,5 milhão de habitantes, gerou R$ 47,1 bilhões em Valor Bruto da Produção Agropecuária em 2023, segundo o Programa Oeste em Desenvolvimento. Entre as 20 maiores cooperativas do agronegócio brasileiro, 7 estão na região. Mas por trás dos números de colheita recordes existe uma sangria silenciosa que o setor conhece bem e pouco divulga.

Dados: FIEP (2025) e 7º Caderno de Indicadores de Inovação do Oeste do Paraná (2025).

Grande parte das perdas acontece na etapa de armazenagem, um dos elos mais críticos e menos tecnificados de toda a cadeia produtiva. A infraestrutura não acompanhou o crescimento acelerado da produção nas últimas décadas. Os números da Conab revelam a dimensão do avanço, mas também do gargalo: a capacidade de estocagem nas propriedades rurais brasileiras cresceu 72% entre 2010 e 2023, alcançando 35,6 milhões de toneladas. Ter silo, no entanto, não resolve o problema mais antigo e custoso do setor: saber exatamente o que está dentro dele, em tempo real, sem depender de inspeções manuais, estimativas visuais ou planilhas desatualizadas.

Para além das perdas físicas, há o custo da decisão no escuro. Quando um produtor não sabe com precisão quanto estoque tem disponível, ele compra mais do que precisa, paga frete emergencial, desperdiça insumos e compromete o planejamento logístico de toda a operação. O silo deixou de ser apenas um depósito de grãos. Tornou-se um ativo financeiro. E ativos financeiros sem monitoramento são passivos disfarçados.

É exatamente nessa lacuna, entre o que a tecnologia pode fazer e o que o mercado efetivamente usa, que a Outside Agrotech foi construída.

A pergunta que virou empresa

Lucas Lima não chegou ao problema pela teoria. Chegou pela prática, de dentro das operações, observando decisões sendo tomadas com base em percepção, experiência e, muitas vezes, na falta de qualquer informação confiável.

“Muitas vezes a informação simplesmente não existia. Quando existia, era cara demais, vinha de equipamentos importados ou de soluções que não conversavam com a realidade do produtor brasileiro, nós vimos produtores perdendo dinheiro não por falta de competência, mas por falta de informação.”

A pergunta que deu origem à Outside não era uma pergunta de negócio. Era uma pergunta de inconformismo. Por que alguém com hectares de produção, com anos de experiência e com toda a estrutura de uma operação consolidada ainda precisa tomar decisões críticas sem dados? A resposta que Lima não encontrou no mercado ele decidiu construir.

A Outside Agrotech é uma empresa de pequeno porte de base tecnológica, constituída como Sociedade Empresária Limitada que foi fundada com uma missão objetiva: tirar o produtor da dependência do “eu acho“. Não como um slogan, mas como uma descrição literal do problema que a empresa existe para resolver. “No final do dia, não vendemos sensores ou aplicativos. Vendemos tranquilidade. Vendemos a capacidade de tomar decisões com confiança”, define Lima.

O caminho entre a ideia e a empresa, no entanto, não foi linear. Empreender tecnologia no Brasil já é difícil. Empreender tecnologia para o agronegócio, saindo do interior do Paraná, é mais difícil ainda. Lima não esconde que o processo teve momentos de dúvida profunda. “O momento mais difícil foi continuar acreditando quando ainda não existiam provas de que daria certo. Toda startup passa por uma fase em que você enxerga o problema, acredita na solução, mas ainda não tem mercado validado, faturamento consistente ou reconhecimento. Existem dias em que tudo parece uma excelente ideia e outros em que parece uma loucura completa. Persistir nesse período foi o maior desafio.”

O Parquetec como divisor de águas

A decisão de entrar no processo seletivo do Itaipu Parquetec foi um ponto de inflexão na trajetória da Outside. Em janeiro de 2025, a startup passou pela seleção e foi aprovada para integrar o ecossistema de inovação da incubadora, uma das mais qualificadas do Brasil, com certificação Cerne 4, o mais alto nível de qualificação de ambientes de inovação do país.

Eduardo Bortoleto, gerente do Centro de Empreendedorismo do Itaipu Parquetec, acompanhou de perto o processo desde o início. Para ele, o que diferenciou a Outside no processo seletivo foi uma combinação rara: clareza do problema, relevância regional e vocação de mercado imediata.

“A Outside chegou com uma proposta que atacava um problema real e urgente do agronegócio regional: a ineficiência na gestão e no monitoramento de silos de grãos. O que chamou atenção não foi só a ideia em si, mas a clareza do problema que queriam resolver e o quanto isso era relevante para a nossa região, que tem o agronegócio como principal motor econômico. Era uma solução com vocação de mercado imediata”, avalia.

O que o Parquetec oferece vai muito além de um endereço institucional. A Outside tem acesso a uma rede de mentores especializados, acompanhamento mensal com analista dedicado, participação em eventos e iniciativas de networking estratégico, e conexão direta com a Itaipu Binacional e seus laboratórios de inovação. O ecossistema conta hoje com mais de 80 startups e empresas conectadas, organizadas em verticais que incluem agronegócio, indústria 4.0, energia, meio ambiente e sustentabilidade.

“O Parquetec oferece muito mais do que espaço físico. Esse conjunto de suporte permite que o empreendedor foque no que importa: desenvolver e crescer o negócio sem precisar resolver sozinho todos os desafios que aparecem no caminho”, explica Bortoleto.

Foto: Reprodução/Itaipu Parquetec

A avaliação de Lima sobre o papel da incubadora é direta. “O Itaipu Parquetec nos ajudou a acelerar aprendizados que levariam anos. Tivemos acesso a mentores, conexões, conhecimento e oportunidades que foram fundamentais para transformar uma ideia em uma empresa. Muitas portas que hoje estão abertas começaram a ser destrancadas lá atrás.”

Em menos de dois anos de incubação, a Outside saiu de uma ideia bem estruturada para um produto validado no mercado, com clientes reais, resultados mensuráveis e crescimento consistente. “É exatamente o tipo de trajetória que a nossa metodologia de incubação busca acelerar: do problema à solução, com sustentação de negócio”, resume Bortoleto.

O que a Outside faz — e o que isso muda na prática

O produto principal da Outside Agrotech é o Trinity, uma solução de silometria desenvolvida por Lucas Lima e Pedro Zaura que permite monitorar em tempo real o nível de grãos e ração em silos de armazenagem. A solução é composta por duas camadas integradas: um hardware e um software desenvolvidos para operar em conjunto. No hardware, um sensor ultrassônico instalado no topo do silo realiza a medição volumétrica do conteúdo com 94% de exatidão. Um painel de controle com display LCD exibe em tempo real os dados de temperatura, umidade e voltagem diretamente no local — sem necessidade de conexão com internet para a leitura presencial.

No software, a plataforma Trinity organiza os dados em três módulos: climático, volumétrico e analítico. O gestor ou produtor acompanha pelo celular ou computador, de qualquer lugar, o monitoramento em tempo real de temperatura e umidade por silo, com gestão centralizada de sensores e propriedades. Para cooperativas como a Coopavel, a vantagem é direta: acompanhamento contínuo do consumo de ração de todos os cooperados, com planejamento de rotas logísticas e produção nas fábricas de ração baseado em dados reais. Não há mais estimativas, subidas de silo ou decisões no escuro.

Instalação do Trinity, produto da Outside, em um silo.

“A tecnologia simplesmente passa a fazer parte da operação dele. A ideia nunca foi criar mais trabalho para o produtor. Foi justamente o contrário: fazer com que ele tenha acesso à informação sem precisar parar o que está fazendo para ir conferir manualmente”, explica Lima.

A plataforma combina sensores de precisão com algoritmos otimizados para as condições brasileiras, um diferencial técnico que Lima considera fundamental em um mercado historicamente dominado por soluções importadas desconectadas da realidade local. “O hardware pode ser copiado. O software pode ser copiado. O que é difícil copiar são anos convivendo com o produtor, entendendo suas dores e desenvolvendo soluções junto com ele. Nós não criamos tecnologia dentro de um escritório imaginando problemas. Nós desenvolvemos tecnologia dentro do agro, vendo os problemas acontecerem na prática. É por isso que nossas soluções resolvem problemas reais e não apenas problemas que existem em apresentações de PowerPoint.”

A solução é modular e adaptável, pensada para atender desde pequenos produtores familiares até grandes estruturas agroindustriais, com modelos de acesso que não exigem o investimento pesado característico de tecnologias importadas. Essa acessibilidade é, segundo Lima, parte central do propósito da empresa. “Vendemos a capacidade de tomar decisões com confiança”, reforça.

A Coopavel e o resultado que não deixa dúvidas

O case mais expressivo da Outside até o momento é a parceria com a Coopavel, uma das maiores e mais respeitadas cooperativas agroindustriais do Brasil. Fundada em 1970 por 42 agricultores em Cascavel, no Oeste do Paraná, a Coopavel registrou faturamento estimado de R$ 5,8 bilhões em 2024, com 75% proveniente de suas indústrias. A cooperativa conta com 26 filiais espalhadas pelo Oeste e Sudoeste do Estado e integra uma cadeia produtiva que abastece mercados nacionais e internacionais.

Quando uma cooperativa desse porte adota uma solução tecnológica de uma startup regional, o sinal é inequívoco: o produto funciona. A implementação envolveu duas áreas centrais da cooperativa: a fábrica de rações, responsável por toda a produção e entrega aos produtores integrados, e o setor de fomento da avicultura, por meio dos veterinários que dão suporte ao manejo e à produção. A solução rodou por mais de um ano dentro da operação da Coopavel antes de ser formalmente validada.

Kleberson Angelossi, gerente de Inovação da Coopavel, acompanhou o processo de perto e afirmou:

“Testamos e validamos uma solução de silometria e monitoramento de silos de produtores de frangos. A solução rodou por mais de um ano na cooperativa e trouxe excelentes resultados em eficiência e custos, divulgamos e aprovamos esse case.”

Aves filhotes dentro de um aviário atendido pela Outside.

O resultado consolidado ao longo de mais de um ano de operação é contundente: todos os produtores que utilizaram a solução não registraram nenhuma falta de ração no período.

Mário Zuck, pequeno avicultor de São João do Oeste, no Oeste do Paraná, tem 30 anos de experiência na criação de frangos. Ele lembra bem como era antes. “Tinha que bater com as mãos e calcular — era aquele problema. A gente não sabia bem certo, calculava e às vezes ficava faltando”, conta. Com o Trinity, a rotina mudou.

“Esse sistema é muito simples, fácil de olhar e para controlar no aviário. Você chega e vê tudo ali no painel: a quantidade, a umidade, a temperatura. Mudou o controle do meu aviário.” O planejamento, antes impreciso, ganhou exatidão: “Por ali a gente calcula o que o frango vai comer até o dia que vai ser carregado.”

Mário Zuck observando os dados de sua propriedade. É possível tanto no silo, com uma análise mais aprofundada pelo aplicativo de celular.

“Parece algo simples, mas isso muda completamente a operação”, analisa Lima. “Evita compras emergenciais, reduz desperdícios, melhora o planejamento logístico e aumenta a eficiência da equipe. Quando o gestor consegue saber exatamente o que está acontecendo sem precisar estar fisicamente no local, o ganho operacional aparece rapidamente.”

O impacto vai além do número individual de cada produtor. Quando uma integradora do porte da Coopavel elimina faltas de ração em toda a sua base por mais de um ano consecutivo, o efeito cascata percorre a cadeia inteira: menos custo emergencial de compra, menos frete não planejado, menos mortalidade de animais por falta de alimentação, menos retrabalho operacional. A tecnologia que nasceu para resolver um problema de silo revelou ser, na prática, uma alavanca de eficiência para toda a cadeia agroindustrial.

O último ano confirmou que o mercado estava esperando por isso. A Outside dobrou seus números, expandiu a malha logística de operação e passou a atender operações cada vez maiores e desafios mais complexos. “Crescemos não apenas em faturamento ou número de clientes, mas principalmente em confiança. Hoje atendemos operações maiores, desafios mais complexos e temos uma visão muito mais clara do impacto que podemos gerar no setor”, avalia Lima.

A barreira que a tecnologia ainda não derrubou sozinha

A trajetória da Outside não é feita apenas de avanços. Ela revela também a face mais resistente e persistente do agronegócio brasileiro: a barreira cultural. Lima admite sem rodeios que a maior dificuldade não é técnica. Muitos produtores já reconhecem a importância da tecnologia, mas carregam uma herança de processos feitos da mesma forma há décadas.

O trabalho da Outside, na prática, muitas vezes não é vender tecnologia. É mostrar que informação gera lucro. Quando o produtor percebe isso, a conversa muda completamente. O agronegócio brasileiro convive com uma contradição estrutural: é tecnologicamente avançado no campo, com maquinário de última geração e técnicas agrícolas de ponta, mas permanece analógico em boa parte da gestão e do monitoramento das operações. A adoção de tecnologia de informação no pós-colheita, especialmente entre pequenos e médios produtores, enfrenta resistência que vai além do custo.

É uma questão de cultura, de confiança e de tempo. A Outside aprendeu que vender tecnologia para o agronegócio é, antes de tudo, um trabalho de construção de confiança.“Quando o produtor percebe que informação gera lucro, a conversa muda completamente”, reforça Lima.


Um ecossistema que o interior do Paraná construiu

A Outside não é um caso isolado. Ela é parte de um movimento mais amplo que o Oeste do Paraná começou a protagonizar nas últimas décadas, impulsionado por um ecossistema de inovação que tem na Itaipu Binacional sua principal âncora e no Parquetec seu braço de aceleração tecnológica. O Parquetec opera com seis verticais de inovação: turismo e cidades inteligentes, agronegócio, energia, negócios de impacto, meio ambiente e sustentabilidade, e indústria 4.0. A escolha dessas verticais não é aleatória: reflete diretamente as vocações econômicas de uma região que produz energia limpa para o Brasil, grãos para o mundo e, cada vez mais, tecnologia para os dois.

“Ter uma startup de base tecnológica nascida aqui, incubada no Parquetec e ganhando mercado nacional, é a prova de que o nosso ecossistema de inovação está cada vez mais maduro. A região tem vocação para o agronegócio, tem a Itaipu como âncora de inovação e tem talentos. A Outside é um exemplo concreto de que esses elementos juntos geram resultado.”, afirmou Eduardo.

Para Bortoleto, o Paraná produz muito, mas o problema da perda na armazenagem e na gestão pós-colheita é real e custoso. “Iniciativas como a Outside ajudam a fechar esse gap ao trazer tecnologia acessível, desenvolvida para a realidade do produtor brasileiro, com sensores e algoritmos calibrados para o nosso clima e solo. Quando uma startup local resolve um problema local com escala nacional, ela transforma não só o produtor que adota a tecnologia, mas a competitividade de toda a cadeia agroindustrial.”

O desafio que ainda existe, segundo o gestor, é estrutural e exige resposta coletiva. “Avançamos muito, mas ainda precisamos de mais conexão entre as universidades, as empresas e as instituições de fomento. O ecossistema do Oeste tem ativos que muitas regiões não têm: a Itaipu, cooperativas fortes, um agronegócio dinâmico e instituições como o Parquetec. É exatamente esse trabalho que estamos realizando aqui: ampliar a cultura empreendedora entre os jovens talentos da região e garantir que mais startups, como a Outside encontrem o ambiente que precisam para nascer e crescer sem precisar ir embora.”

O 7º Caderno de Indicadores de Inovação do Oeste do Paraná, produzido pelo Iguassu Valley com apoio do Sebrae, revela a dimensão desse movimento. Em 2024, o ecossistema regional captou R$ 556 milhões em recursos para inovação, registrou 217 startups formalizadas e depositou 175 propriedades intelectuais, um crescimento de 350% em relação ao ano anterior. O setor com maior número de startups é exatamente o agrotech, responsável por 20% do ecossistema. A Outside aparece no caderno como uma das empresas que depositaram patentes em 2024, com dois registros formalizados.

Para Angélica Fonseca Weirich, gestora de Projetos de Políticas Públicas e Inovação da Regional Oeste do Sebrae Paraná, o que acontece no Oeste é resultado de uma construção coletiva que vai muito além de uma empresa ou de um setor.

“O Oeste do Paraná possui um ecossistema de inovação muito dinâmico e conectado. A região se destaca pela forte integração entre universidades, empresas, startups, poder público e instituições de apoio, criando um ambiente favorável ao desenvolvimento de novos negócios e tecnologias. A vocação empreendedora da região, somada à força do agronegócio, da indústria e de demais setores estratégicos, tem impulsionado iniciativas que geram competitividade, emprego e desenvolvimento econômico.”

O Oeste do Paraná, que durante décadas exportou grãos, começa a exportar algo mais difícil de plantar e mais valioso de colher: soluções tecnológicas desenvolvidas aqui, para o Brasil.

O futuro que já está sendo construído

Em cinco anos, Lucas Lima quer que a Outside seja parte de uma transformação que ainda não existe no agronegócio brasileiro em escala. Não como uma promessa de pitch. Como uma consequência lógica do que já foi construído. O propósito, nas palavras do próprio fundador, é direto:

“A Outside existe para garantir que nenhum produtor precise tomar decisões importantes sem ter acesso à informação que deveria estar disponível para ele. Queremos que decisões que hoje são tomadas com base em experiência, percepção ou estimativa passem a ser tomadas com dados reais. Nossa visão é ajudar a construir um agro onde a informação esteja disponível em tempo real para quem precisa decidir. Menos desperdício, mais previsibilidade e mais eficiência. Esse é o impacto que queremos deixar”, afirmou Lima.

Há algo simbolicamente carregado em uma empresa de dados nascer à beira do maior reservatório de água doce do planeta, dentro de uma incubadora alimentada pela maior usina hidrelétrica do Brasil. Itaipu não é apenas energia. É o símbolo de que o interior do país é capaz de produzir obras que mudam escalas. A Outside, à sua maneira, está tentando fazer o mesmo, com sensores, algoritmos e a teimosia de quem não aceita que a falta de informação seja o destino do produtor brasileiro.

No Oeste do Paraná, algoritmo que nasceu no silo já não cabe mais nele.


Reportagem produzida com entrevistas com Lucas Lima, fundador e proprietário da Outside Agrotech; Eduardo Bortoleto, gerente do Centro de Empreendedorismo do Itaipu Parquetec; Kleberson Angelossi, gerente de Inovação da Coopavel; Mário Zuck, avicultor de São João do Oeste; e Angélica Fonseca Weirich, gestora de Projetos de Políticas Públicas e Inovação da Regional Oeste do Sebrae Paraná.

Dados contextuais: Conab (Levantamento de Armazenagem, 2023); Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Fiep/Ipardes (2025); Programa Oeste em Desenvolvimento (2025); 7º Caderno de Indicadores de Inovação do Oeste do Paraná, Iguassu Valley/Sebrae (2025); Mapeamento de Startups Paranaenses, Sebrae Paraná (2024).

Henrique Speck

Henrique Speck

Jornalista e Editor-Chefe do Diretriz. Apaixonado por futebol e negócios

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